11ª Marcha das Mulheres Negras Homenageia Luana Barbosa e Clama por Justiça em SP

© Paulo Pinto/Agencia Brasil

A 11ª Marcha das Mulheres Negras de São Paulo reuniu centenas de pessoas neste sábado, 25 de julho de 2026, na Praça Roosevelt, região central da capital paulista. O evento destacou a memória de Luana Barbosa, mulher lésbica, negra e periférica, cuja morte brutal, ocorrida há dez anos, permanece sem condenação ou prisão dos envolvidos.

Abordada e agredida por policiais militares em abril de 2016, Luana Barbosa tornou-se um símbolo da persistente violência contra mulheres negras. A manifestação contou com a presença de lideranças políticas, feministas, religiosas, artistas e representantes de movimentos da comunidade negra, que vieram de diversas cidades e bairros. Juliana Gonçalves, membro e cofundadora do evento, ressaltou a continuidade dos casos: “Dez anos se passaram e muitas Luanas Barbosas seguem morrendo, como a gente viu o caso da Ieda e da Fabiana, duas mulheres negras e lésbicas que foram mortas em São Paulo”. Ela enfatizou a luta por direitos, reparação e bem-viver, afirmando que “as mulheres negras levantam essa economia, fazem o trabalho de cuidado que não é reconhecido e mesmo assim são as que menos ganham”.

O lema deste ano, “Há 10 anos por Luana Barbosa e por todas nós! Por direitos, reparação e Bem Viver! Mulheres negras nas ruas e nas urnas!”, ecoou entre os participantes, reforçando as demandas por justiça e visibilidade.

Manifestações Culturais e Engajamento Comunitário

A abertura oficial da marcha foi marcada por uma performance do coletivo Bando das Macuas, que apresentou uma coreografia focada na ancestralidade. Francine Moura, uma das sete integrantes do grupo, explicou que o trabalho se inspira no povo Macuas, de Moçambique, e reverencia as mulheres unidas na marcha. O palco montado na praça também recebeu duas DJs que animaram o público com rap e hip hop, cujas letras abordavam temáticas de protesto.

A Voz das Religiões na Luta por Direitos

Mulheres negras ligadas a religiões de matriz africana estiveram presentes, denunciando a violência e a falta de representatividade. Ìyalóde Marisa de Oya expressou a realidade de seu povo: “Precisamos mostrar que esse povo está aí largado, sofrendo violência, apanhando, que não tem um lugar de fala dentro do governo. Tem muita gente apanhando por causa da cor da pele, porque é de candomblé, porque é de umbanda. Então, você vê que esse país não é assim tão laico como se fala que é”.

Lideranças da Rede de Mulheres Negras Evangélicas, grupo atuante desde 2018, também subiram ao palco, ampliando o espectro de vozes e o diálogo inter-religioso.

Além da capital paulista, a Marcha das Mulheres Negras ocorreu simultaneamente em outras cidades brasileiras. Uma caminhada foi realizada em Salvador (BA) no mesmo sábado, enquanto em Recife (PE), o evento aconteceu na sexta-feira, 24 de julho de 2026.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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