Banco Central Mantém Alerta Sobre Riscos Apesar de Desaceleração da Inflação

© Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), ao reduzir a taxa Selic para 14% ao ano, agiu em um cenário de desaceleração inflacionária, mas manteve um alerta sobre as incertezas e os riscos persistentes. As expectativas de inflação continuam elevadas, conforme detalhado na ata da reunião divulgada pelo BC na terça-feira (11).

Decisão do Copom e Justificativas

A instituição avalia que o corte na taxa Selic é “compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”. Além de contribuir para a estabilidade dos preços, a decisão visa atenuar as oscilações da atividade econômica e favorecer o pleno emprego no país.

Apesar do corte nos juros, o Copom ressalta que o cenário demanda prudência. A política monetária tem desempenhado um papel crucial no processo de desinflação, porém, a inflação ainda se mostra pressionada pela demanda. Diante disso, o Banco Central considera essencial que os juros permaneçam em um patamar restritivo.

Cenário Inflacionário e Fiscal

O documento aponta que a inflação ao consumidor registrou desaceleração nas últimas leituras, mas permanece acima do limite superior da meta estabelecida. Por outro lado, os preços ao produtor apresentaram recuo, impulsionados principalmente pelo desempenho da indústria extrativa, setor responsável pela captação de recursos naturais como minérios, petróleo, gás natural e carvão.

Os diretores do BC manifestam preocupação com o potencial de pressão sobre as taxas de juros da economia, decorrente do crescimento do crédito direcionado e das incertezas relacionadas à estabilização da dívida pública.

Projeções do Banco Central

No cenário de referência utilizado pelo Banco Central, a trajetória dos juros é baseada nas projeções do Boletim Focus. A taxa de câmbio, por sua vez, parte de R$ 5,10 por dólar e evolui conforme a paridade do poder de compra.

Panorama Econômico Global e Interno

Cenário Externo

A ata destaca que as incertezas no cenário internacional permanecem elevadas. Fatores de preocupação incluem os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio e as dúvidas sobre a condução da política monetária em economias avançadas. O Copom observa um ambiente de volatilidade nos preços de ativos financeiros e commodities, o que exige cautela por parte dos países emergentes. A instabilidade é reforçada pelas incertezas em torno da política econômica dos Estados Unidos.

Cenário Interno

Internamente, o Copom registra sinais de uma moderação gradual da atividade econômica desde a última reunião, com a economia mantendo uma trajetória de desaceleração. Embora com perda de ritmo, o mercado de trabalho continua aquecido, e a taxa de desemprego se mantém em níveis historicamente baixos, apesar da desaceleração no crescimento da ocupação. Os rendimentos médios dos trabalhadores perderam força, mas, segundo a avaliação do comitê, “ainda crescem em termos reais a uma taxa superior à da produtividade do trabalho”.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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