Brasil se aproxima de recorde histórico de tornados em 2024

© Luis Frey/Divulgação

O Brasil registrou 81 tornados até julho de 2024, conforme dados da Prevots (Plataforma de Registro e Observadores de Tempestades Severas). Este número aproxima o país do recorde de 92 tornados, estabelecido em 2023, indicando a possibilidade de superação até o final do ano.

Entre 2018 e 2025, a Prevots observa um aumento gradual na incidência de tornados. Contudo, pesquisadores ressaltam que não há consenso sobre uma ligação direta com as mudanças climáticas, atribuindo parte desse crescimento à maior capacidade da população de registrar os fenômenos com dispositivos móveis. Globalmente, o Brasil é considerado o segundo país mais propenso a tornados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Condições para a Formação de Tornados

A incidência de tornados no Brasil é favorecida por condições climáticas específicas, principalmente na Região Sul, que propiciam a formação de tempestades severas conhecidas como supercélulas. Essas tempestades, mais raras que outras formações, são caracterizadas por intensas quedas de granizo e ventos fortes, podendo gerar colunas de ar em formato de funil que giram em altas velocidades, descendo da base da nuvem até o solo.

O meteorologista Vitor Castilho, da Universidade Federal de Pelotas, explica que as supercélulas resultam do encontro de massas de ar com temperaturas e umidades distintas – uma massa de ar quente e úmida e outra fria e seca. Essa interação gera tempestades violentas que adquirem rotação, e em alguns casos, essa rotaação se estende até a superfície, culminando na formação de um tornado.

A região Sul do Brasil é uma zona de convergência dessas massas de ar, o que a torna um foco para tempestades tornádicas. O evento mais recente ocorreu na última terça-feira, causando 4 feridos e significativos estragos nos municípios de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no noroeste do Rio Grande do Sul.

Previsão e Monitoramento de Fenômenos

Atualmente, a previsão exata do local onde a coluna de ar de um tornado tocará o solo ainda é um desafio. No entanto, é possível antecipar a chegada das grandes tempestades que podem originar tornados.

O meteorologista Murilo Lopes, da Universidade Federal de Santa Maria, detalha que para prever tempestades capazes de causar tornados, é crucial identificar variações verticais do vento, ou seja, aumento de intensidade e mudança de direção com a altitude. Com essa análise, é possível emitir alertas com 24 a 48 horas de antecedência para regiões específicas.

Para o monitoramento em tempo real, o radar meteorológico é essencial. Este equipamento emite ondas eletromagnéticas que interagem com as partículas de água nas nuvens.

Vitor Castilho ressalta a importância dessas ferramentas para a ‘previsão de curto prazo’, permitindo o monitoramento e alerta de tempestades já formadas. Os radares conseguem detectar assinaturas de rotação dentro das tempestades e, em alguns casos, identificar o tornado em ocorrência, possibilitando antecipar o fenômeno em questão de minutos.

Desafios e Necessidade de Modernização

Apesar dos avanços recentes, ambos os pesquisadores apontam que os radares meteorológicos brasileiros estão defasados e necessitam de modernização para otimizar a emissão de alertas à população.

Murilo Lopes enfatiza a necessidade de ampliar a quantidade de equipamentos e a cobertura dos radares. Ele explica que uma cobertura ideal requer um raio de 250 km para garantir a qualidade dos dados. Devido à curvatura da Terra, feixes de ondas mais distantes atingem apenas o topo das tempestades, perdendo informações cruciais sobre os fenômenos próximos à superfície, onde os eventos severos ocorrem. Isso demanda um maior número de equipamentos para cobrir adequadamente os estados.

Outro problema é a falta de preparo das cidades para lidar com eventos meteorológicos extremos, como tornados, vendavais e quedas de granizo. Vitor Castilho menciona que a principal medida para mitigar os efeitos de um tornado é buscar abrigo subterrâneo, destacando que países com alta incidência adotam a construção de abrigos como prática essencial para a segurança da população.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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