CNJ analisa propostas para ética e disciplina na magistratura

© G. Dettmar/ CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) se prepara para uma sessão crucial nesta terça-feira, 4 de junho, a partir das 10h, com uma pauta que inclui a análise de novas regras de conduta para magistrados e a deliberação sobre o fim da aposentadoria compulsória como sanção disciplinar.

Novas Regras para Prevenção de Conflitos de Interesses

A principal iniciativa, de autoria do ministro Edson Fachin, presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), visa estabelecer a Política Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses no âmbito do Poder Judiciário. Esta proposta busca disciplinar a participação de juízes em eventos privados, o recebimento de presentes e a atuação de escritórios de advocacia de parentes de magistrados nos tribunais, buscando maior transparência e evitando situações de conflito.

A iniciativa de Fachin alinha-se a um movimento mais amplo por aprimoramento ético no Judiciário. Em fevereiro deste ano, ele já havia indicado a criação de um Código de Ética para os ministros do STF como uma das prioridades de sua gestão, com a ministra Cármen Lúcia como relatora. O anúncio ocorreu em meio a investigações que citavam os nomes dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, envolvendo o Banco Master.

Fim da Aposentadoria Compulsória em Debate

Na mesma sessão, o CNJ deverá deliberar sobre o fim da aposentadoria compulsória, que atualmente serve como pena máxima administrativa para magistrados condenados por faltas disciplinares graves, como venda de sentenças, assédio sexual e moral. Esta discussão é consequência direta de uma recente decisão do STF que redefiniu os termos dessa punição.

Conforme o novo entendimento da Suprema Corte, após a condenação de um magistrado pelo CNJ, a Advocacia-Geral da União (AGU) deverá ingressar com uma ação no STF para que a perda definitiva do cargo seja analisada pela própria Corte. Essa medida altera o procedimento anterior, no qual magistrados mantinham o recebimento de vencimentos mesmo após a imposição da aposentadoria compulsória.

O CNJ, criado em 2005 e responsável pelo julgamento de faltas disciplinares de juízes e desembargadores, aplicou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) ao longo de sua história. A Loman previa diversas penalidades, sendo a aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais a mais grave. Em seus 20 anos de existência, o conselho condenou 126 magistrados a essa medida disciplinar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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