Como Verificar a Saúde Financeira do Seu Banco: Guia Essencial para Consumidores e Investidores

© Valter Campanato/Agência Brasil

Diante das recentes liquidações de instituições financeiras pelo Banco Central (BC), a circulação de notícias e rumores sobre a saúde de bancos tornou-se mais frequente, nem sempre com informações precisas. Para consumidores e investidores, a capacidade de diferenciar alertas reais de desinformação é crucial para proteger o patrimônio e tomar decisões financeiras seguras.

Avaliação da Solidez Financeira de Instituições Bancárias

Existem ferramentas oficiais, indicadores públicos e sinais objetivos que permitem analisar a situação financeira de um banco operando no Brasil. Antes de agir por receio, é fundamental consultar fontes confiáveis, analisar indicadores e desconfiar de promessas exageradas. A informação de qualidade é a melhor defesa contra boatos e potenciais prejuízos.

1. Verificação da Autorização do Banco Central

O passo inicial é confirmar se a instituição financeira possui autorização e é supervisionada pelo Banco Central do Brasil. Essa consulta pode ser realizada no site oficial do BC, seguindo o caminho: Meu BC → Serviços → Encontre uma instituição. Bancos não autorizados não têm permissão para operar no sistema financeiro nacional.

2. Uso de Bases Oficiais de Dados

Três plataformas concentram informações financeiras fidedignas:

Central de Demonstrações Financeiras (CDSFN), do Banco Central: Disponível na mesma página do serviço ‘Encontre uma Instituição’. Após digitar o nome da instituição e clicar no resultado, selecione ‘Central de Demonstrações Financeiras’.Site Banco Data: Organiza dados financeiros de forma acessível, utilizando esquemas visuais e cores (verde, laranja e vermelho) para indicar o risco de cada indicador.Site de Relações com Investidores (RI) de cada instituição: Toda instituição autorizada pelo BC é obrigada a manter uma página dedicada a investidores, contendo todas as informações financeiras e resumos de fácil leitura. O acesso pode ser feito pesquisando ‘[Nome da Instituição] + RI‘ em qualquer motor de busca.Esses sistemas possibilitam a análise de balanços, resultados e indicadores de risco.

3. Avaliação dos Principais Indicadores de Solidez

A análise de indicadores específicos revela a saúde financeira de um banco:

Índice de Basileia: Mede a relação entre o capital próprio da instituição e os riscos assumidos.
    >> Mínimo exigido no Brasil: 11% para instituições em geral, 13% para bancos cooperativos.
    >> Índice confortável: acima de 15%.
    >> Um índice de 11% significa que, para cada R$ 100 emprestados, a instituição possui 11% de recursos próprios (dos sócios e acionistas). Quanto maior o índice, maior a capacidade do banco de absorver perdas.Lucro líquido recorrente: Lucros consistentes ao longo do tempo são indicativos de boa gestão.Inadimplência da carteira de crédito: Percentual de empréstimos vencidos há mais de 90 dias. Índices elevados são um sinal de risco.Índice de imobilização: Mostra a parcela do capital da instituição investida em ativos fixos (como imóveis que não são facilmente liquidáveis em crises). Valores altos podem reduzir a liquidez.Rating de crédito: Notas atribuídas por agências como Moody’s, S&P e Fitch. Rebaixamentos sucessivos acendem o alerta. É importante notar que, em alguns casos, agências atribuíram notas altas a instituições que posteriormente enfrentaram dificuldades.

4. Cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)

Para investidores, é fundamental verificar se o banco é coberto pelo FGC. Este fundo garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um teto global de R$ 1 milhão pago a cada quatro anos.

Recursos e investimentos cobertos pelo FGC:

Contas correntes e poupança;CDB e RDB;Letras financeiras dos seguintes tipos: LCI, LCA, LC, LH, LCD;Depósitos a prazo;Operações compromissadas com títulos elegíveis.Em caso de liquidação da instituição, o FGC é o caminho para recuperar os valores dentro do limite estabelecido.

Recursos e investimentos não cobertos pelo FGC:

CRI e CRA;Debêntures;Letras financeiras dos seguintes tipos: LF, LI, LIG;Títulos públicos, pois são cobertos pelo Tesouro Nacional;Títulos de capitalização;Fundos de renda fixa (em caso de quebra, possuem CNPJ separado e podem ser geridos por outra instituição);Depósitos no exterior;Depósitos judiciais.O correntista deve estar ciente de que perderá esses valores em caso de falência da instituição.

5. Atenção a Rentabilidades Fora do Padrão

Rentabilidades significativamente acima da média do mercado devem ser vistas com cautela. Embora bancos menores possam oferecer taxas ligeiramente mais altas para atrair clientes, ofertas de retornos extraordinários, especialmente por instituições em dificuldade, podem ser uma tentativa de captar recursos rapidamente, sinalizando um risco elevado. Retornos muito elevados quase sempre estão associados a maiores riscos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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