Um novo relatório da organização não-governamental Oxfam revela que o grupo de 1% mais rico do mundo consumiu, em apenas dez dias, a cota justa de emissões de carbono prevista para todo o ano, essencial para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5 graus Celsius.
As Consequências do Consumo Desenfreado
A irresponsabilidade dos super-ricos na crise climática é significativa. Com o consumo excessivo de carbono nos primeiros dias do ano, a data de 10 de janeiro foi designada pela Oxfam como o “Dia dos Ricos Poluidores“. Projeções da organização indicam que as emissões geradas por essa parcela da população podem ser responsáveis por até 1,3 milhão de mortes relacionadas ao calor até o fim deste século. Além disso, a estimativa é de que o impacto dos excessos de alta renda cause danos econômicos de US$ 44 trilhões até 2050 em países de baixa e média-renda.
A Disparidade no Estilo de Vida
Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil, ilustra a disparidade: “O uso de um super iate, de super jatinho, por uma semana, equivale, em emissão de carbono, que uma pessoa que tá no 1% mais pobre, vai levar a vida inteira pra emitir.” Ela salienta que as pessoas mais pobres são as mais afetadas pelos efeitos das mudanças climáticas, apesar de serem as que menos contribuem para o problema.
Caminhos para a Responsabilização
Para alcançar a meta de 1,5 graus Celsius, o 1% mais rico precisaria reduzir suas emissões de carbono em 97% até 2030. Viviana Santiago defende a tributação adicional sobre os super-ricos como uma forma justa de responsabilização. Segundo ela, “É justo que essas pessoas que poluem mais sejam responsáveis por garantir recursos que possam contribuir pra conter os avanços dos impactos pra adaptar, pra mitigar, pra fazer uma transição energética justa”.
Riqueza, Poluição e Influência Política
A concentração de riqueza e a emissão de carbono estão intrinsecamente ligadas à desigualdade social. O levantamento da Oxfam aponta que, além do estilo de vida, as pessoas de alta renda também financiam indústrias poluentes. Cada bilionário possui, em média, uma carteira de investimentos que impacta na emissão de 1,9 milhão de toneladas de gás carbônico por ano. A influência desse grupo também se estende às políticas públicas: a Oxfam observou que o número de lobistas de combustíveis fósseis na COP30 superou o de qualquer delegação nacional, exceto a do Brasil.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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