Exposição Imersiva ‘O Brasil de Tarsila’ Celebra 140 Anos da Artista em São Paulo

© Paulo Pinto/Agencia Brasil

A celebração dos 140 anos do nascimento da renomada pintora brasileira Tarsila do Amaral, que ocorre em setembro deste ano, ganha um destaque especial com a abertura da exposição imersiva “O Brasil de Tarsila”. A mostra inaugura o Nubank Art Lab, um novo espaço cultural localizado no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, em São Paulo, e estará em cartaz a partir deste sábado (15).

Uma Jornada Interativa pelo Universo de Tarsila

Após o grande sucesso de “Tarsila Popular”, que atraiu mais de 400 mil pessoas no Museu de Arte de São Paulo (Masp), “O Brasil de Tarsila” aposta na interatividade para oferecer uma experiência singular. Os visitantes poderão mergulhar nas obras da artista, com projeções em 360 graus, cenografia, trilha sonora, dispositivos interativos e aromas. A exposição permite interações únicas, como sentir cheiros, contemplar paisagens desenhadas pela artista, “viajar” em um trem ao som de suas frases, posar ao lado do Abaporu e até ter a cabeça virtualmente inserida na icônica tela Operários, um marco do modernismo brasileiro. Considerada a maior exposição imersiva dedicada ao legado da pintora, ela permanecerá em cartaz até 31 de outubro.

Curadoria e Perspectiva Democrática

Com curadoria de Paola do Amaral Montenegro, sobrinha-bisneta da artista, e Juliana Miraldi, a exposição apresenta um percurso por 14 salas que exibem mais de 70 obras de Tarsila, reproduzidas, animadas ou projetadas. A seleção busca ser democrática, alcançando tanto o público já familiarizado com a obra de Tarsila quanto aqueles que a descobrirão pela primeira vez. Juliana Miraldi destaca a proposta: “É uma exposição pensada de maneira democrática em essência, com obras que dificilmente são vistas, porque estão em espaços inacessíveis. Essa exposição é para todas as idades e todos os repertórios.” Paola do Amaral Montenegro complementa que a intenção é oferecer algo diferente das mostras tradicionais, focando na imersão e em obras menos conhecidas, “colocando ela de novo à frente do seu tempo”.

Criação Humana em Detrimento da Inteligência Artificial

Um diferencial da exposição é a escolha por não utilizar inteligência artificial na criação do conteúdo audiovisual. Juliana Miraldi explica que mais de 32 artistas digitais e plásticos foram responsáveis pelo desenvolvimento, garantindo consistência estética e respeito às obras originais. “Vocês vão notar nos vídeos que isso é diferente da inteligência artificial. Aqui, a gente tem camadas e trabalhos com luz e com textura”, ressalta. A concepção da mostra visa atrair famílias, despertar a curiosidade de crianças e jovens, e abrir portas para novos públicos, superando possíveis preconceitos contra formatos imersivos.

O Papel Transformador dos Novos Suportes na Arte

A discussão sobre o impacto de novos formatos, como as exposições imersivas, é abordada pelas curadoras. Juliana Miraldi compara a recepção de exposições imersivas àquela dada à fotografia e ao cinema em seus primórdios, reconhecendo que, embora gerem desconfiança inicial, são espaços que dialogam com o entretenimento, a informação e a comunicação. Para Paola do Amaral Montenegro, esses novos suportes ampliam o conhecimento sobre a arte, permitindo que a alegria, o envolvimento e a capacidade de se emocionar se tornem também formas válidas de compreensão.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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