Incêndios florestais estão devastando grandes áreas em diversos países europeus, com a França e a Espanha particularmente afetadas. As chamas ameaçam cidades históricas como Bordeaux, localizada no coração da região vinícola francesa, e já forçaram a evacuação de centenas de milhares de pessoas em ambos os países. A crise sublinha um desafio sem precedentes, intensificado por secas prolongadas e ondas de calor sucessivas.
França: Bordeaux sob Alerta e Evacuações Massivas
Na França, a série de incêndios florestais avançou perigosamente em direção aos arredores de Bordeaux, capital da região da Nova Aquitânia. Os bombeiros estão empenhados em conter o avanço das chamas para evitar que atinjam a área metropolitana, que abriga cerca de 850 mil habitantes. Anteriormente, os incêndios já haviam devastado a península de Cap Ferret, um conhecido destino turístico na costa atlântica.
O ministro do Interior francês, Laurent Nunez, descreveu a situação como “muito desfavorável” e “sem precedentes” em um pronunciamento no domingo, 15 de julho, afirmando que um dos focos “não está sob controle e está se movendo na direção da área urbana”. Apesar disso, o prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, indicou que o fogo estava a aproximadamente 15 quilômetros dos pontos de acesso à cidade e que, até então, não havia planos de evacuação para a metrópole.
Contudo, ações de retirada forçada foram implementadas em municípios próximos. Durante a madrugada, a polícia realizou evacuações porta a porta em Marcheprime e Cestas, deslocando residentes devido ao avanço do fogo. No total, cerca de 220 mil pessoas deixaram suas casas na França por precaução.
Espanha Enfrenta o Maior Incêndio Florestal Recente
A Espanha também luta intensamente contra incêndios de grandes proporções. O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, visitou as áreas afetadas em Ávila, uma das três províncias do centro do país impactadas, juntamente com Madri e Toledo.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Sara Aagesen, mais de 50 mil hectares de áreas rurais foram devastados em Ávila, tornando-o o maior incêndio florestal da história recente da Espanha. Outro foco significativo na província de Castellón, no leste, queimou mais de 4,3 mil hectares.
O governador regional de Valência, Juanfran Pérez, declarou que o incêndio em Castellón estava “fora de controle” e “muito difícil de extinguir” devido às condições climáticas adversas. As chamas atingiram o parque natural da Sierra de Espadan, conhecido por suas extensas florestas de pinheiros e sobreiros. As evacuações na Espanha afetaram mais de 75 mil pessoas, com outras 30 mil orientadas a permanecer em abrigos.
As Mudanças Climáticas e a Intensificação dos Eventos
Os incêndios florestais na Europa são os mais recentes desastres associados a uma seca prolongada e a sucessivas ondas de calor, fenômenos que, segundo cientistas, se intensificaram devido às mudanças climáticas. Desde janeiro, mais de 150 mil hectares foram queimados em toda a Espanha, uma área seis vezes maior do que a destruída no mesmo período do ano anterior.
Em julho, as temperaturas máximas médias em Bordeaux e Ávila atingiram 32 graus Celsius, quase 6°C acima da média normal para o mês, conforme dados do Reuters Climate Monitor. Embora os incêndios de verão sejam recorrentes na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez ressaltou que a escala e intensidade crescentes desses eventos exigem políticas baseadas na ciência climática.
Outros Países Europeus Também Combatem Chamas
A crise dos incêndios não se restringe à França e à Espanha. Nas terras altas da Escócia, cerca de 500 bombeiros combatem um grande incêndio no Parque Nacional de Cairngorms desde 15 de julho. Após evacuações preventivas, moradores da vila de Nethy Bridge puderam retornar às suas casas no final do sábado.
Na Itália, vários focos de incêndio causaram interrupções significativas. Um trecho sul do anel viário de Roma e uma rodovia de acesso à capital foram fechados por horas. Na região da Puglia, sul da Itália, turistas foram retirados de resorts à beira-mar na área de Gargano, alguns resgatados por via marítima pela guarda costeira. Além disso, o tráfego ferroviário foi temporariamente suspenso nos arredores de Acireale, leste da Sicília, e na linha do leste do Adriático, ao sul de Termoli.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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