Jovens Expressam Consciência Crítica e Desejo de Melhorias na Internet

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A pesquisa “Adolescência Sem Filtro”, divulgada em 12 de agosto, Dia Nacional da Juventude, e encomendada pelo Instituto Alana, revela uma relação ambivalente e consciente de jovens brasileiros com a internet. O estudo, que ouviu mais de 500 adolescentes entre 13 e 18 anos, mostra que, embora a conexão gere felicidade para 63% dos entrevistados, metade reconhece passar tempo excessivo online, evidenciando uma consciência crítica sobre o ambiente digital.

Consciência Crítica e o Futuro da Internet

A maioria dos participantes, 71%, acredita que a internet deve continuar a existir, mas com mudanças significativas, enquanto 9% sugerem seu fim. Essa percepção é corroborada pela especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, Gabriela Barbosa, que destaca o senso crítico apurado dos adolescentes em reconhecer tanto os aspectos negativos quanto a necessidade de aprimorar esse espaço virtual.

Apesar de a experiência online ser majoritariamente positiva para atividades de lazer e curiosidade, os jovens demonstram preocupação com o tempo despendido. 50% admitem passar mais tempo online do que gostariam, 41% se sentem mais dependentes do celular e 39% acreditam ter perdido tempo de estudo por causa da internet. Diante desse cenário, 49% veem as plataformas como responsáveis por uma internet melhor, e 43% pedem maior controle sobre elas.

Para se protegerem ativamente de conteúdos nocivos, 44% dos adolescentes bloqueiam contas ou materiais indesejados e 32% fazem pausas ao longo do dia. A pesquisa também aponta que 69% estão abertos a receber apoio para lidar melhor com a dependência da internet, indicando uma busca por ferramentas de autocontrole.

O Cenário das Redes Sociais e Outras Atividades

As redes sociais emergem como a principal atividade online para os adolescentes, com 46% usando a internet diariamente para acessá-las. Outras atividades relevantes incluem conversar com amigos e família (37%), jogar (30%), estudar (23%) e assistir a vídeos (21%). Plataformas como Instagram e TikTok são percebidas como o principal meio de vivência da internet, servindo tanto como fonte de pertencimento, informação e aprendizado quanto como um “anestésico para o tédio”.

Diferenças de Gênero no Uso Digital

O estudo também revela padrões distintos de uso entre os gêneros. Meninos acessam a internet com maior frequência para jogar (66%, contra 44% das meninas), enquanto as meninas a utilizam mais para conversar com família e amigos (64%, ante 50% dos meninos) e para os estudos (60%, em comparação com 46% dos meninos).

A Metodologia Inovadora e o Poder da Voz Juvenil

Uma característica marcante da pesquisa foi a metodologia qualitativa, que recrutou e treinou oito adolescentes entre 13 e 18 anos para conduzir as entrevistas. Essa abordagem, idealizada pela Agência Koga para fugir de uma visão adultocêntrica, permitiu que os entrevistados se sentissem mais confortáveis e expressassem suas opiniões sem filtros, criando uma identificação fundamental entre pares.

Embora os adultos muitas vezes subestimem o senso crítico dos jovens, a pesquisa aponta uma oportunidade para a participação ativa. 19% dos adolescentes acreditam que podem ajudar a mudar a internet, destacando o potencial de valor que pode ser extraído ao abrir espaços para que sejam escutados e envolvidos nos processos de discussão e construção do ambiente digital.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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