Liquidações de Banco Master e Reag Revelam Fraude Bilionária no Sistema Financeiro

© Rovena Rosa/Agência Brasil

A liquidação do Banco Master, decretada pelo Banco Central (BC) em novembro de 2025, e da gestora de investimentos Reag, em 15 de fevereiro, revelou um dos mais graves episódios no sistema financeiro brasileiro. O caso levanta suspeitas de fraudes bilionárias, uso de fundos de investimento para ocultar prejuízos, tentativas de socorro via banco público e tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal de Contas da União (TCU), o BC e a Polícia Federal (PF).

Controlado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, o Banco Master teve um crescimento acelerado ao oferecer Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade significativamente acima da média do mercado. Investigações da PF e relatórios do BC apontam que, para sustentar esse modelo, o banco teria assumido riscos excessivos e estruturado operações que inflavam artificialmente seu balanço, deteriorando sua liquidez real. A conexão com a Reag Investimentos e a tentativa de venda ao Banco de Brasília (BRB) transformaram o caso em um complexo xadrez institucional, com impacto direto em investidores e na credibilidade das instituições financeiras.

O Esquema de Fraude Financeira

Funcionamento da Operação Ilícita

Entre 2023 e 2024, o Banco Master supostamente desviou cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações financeiras. O banco teria emprestado recursos a empresas consideradas ‘laranjas’, que por sua vez aplicavam o dinheiro em fundos geridos pela Reag Investimentos. Esses fundos eram utilizados para adquirir ativos de baixo ou nenhum valor real, como certificados do extinto Banco Estadual de Santa Catarina (Besc), por preços inflacionados. O Banco Central identificou seis fundos da Reag sob suspeita, com um patrimônio conjunto de R$ 102,4 bilhões, onde o dinheiro circulava entre fundos ligados aos mesmos intermediários até alcançar os beneficiários finais.

Características de um Esquema Ponzi

Para postergar a inadimplência, o Banco Master concedia empréstimos com carência de até cinco anos. O modelo se assemelhava a um esquema Ponzi, onde novos CDBs eram emitidos para pagar investidores antigos. O banco chegou a oferecer CDBs com rentabilidade de até 140% da taxa do Certificado de Depósito Interbancário (CDI), um nível considerado insustentável pelo mercado. Com o surgimento das primeiras suspeitas sobre a credibilidade da instituição em 2024, a captação de novos recursos estancou, resultando no colapso do caixa.

Tentativa Frustrada de Venda ao BRB

Em uma busca desesperada por liquidez, o Banco Master simulou a compra de uma carteira de crédito de R$ 6 bilhões da empresa Tirreno. Essa operação, conforme apurou o BC, existia apenas contabilmente, sem qualquer pagamento ou crédito real. A mesma carteira foi, posteriormente, revendida ao BRB por R$ 12 bilhões, após uma manipulação da taxa de juros. Em setembro, o Banco Central interveio e barrou a tentativa de venda de parte do Banco Master ao BRB, pois a investigação indicou que a proposta buscava fundir balanços e, consequentemente, diluir a fraude em um banco público.

Intervenção Regulatória e Liquidação

O Banco Central limitou a captação de recursos do Banco Master a 100% do CDI, paralisando seu crescimento. Desde abril de 2025, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) passou a cobrir os CDBs vencidos por meio de uma linha emergencial. O controlador tentou aportar recursos provenientes da venda de ativos pessoais, mas não obteve sucesso. A liquidação do banco foi decretada quando a instituição se tornou incapaz de honrar sequer 15% dos vencimentos semanais.

O Papel Central da Reag Investimentos

Os fundos administrados pela Reag Investimentos emergiram como peça-chave na sustentação do esquema fraudulento. A gestora é suspeita de ter facilitado a constituição de empresas ‘laranjas’ para o empréstimo de recursos a esses fundos. Além disso, os fundos são investigados por supostamente valorizarem ativos fictícios e pulverizarem os recursos de forma irregular. A liquidação posterior da gestora pelo BC é vista como um desdobramento direto do caso Banco Master, ocorrendo após a segunda fase da Operação Compliance Zero.

Tensões entre Órgãos Públicos

Embora o Banco Master concentrasse apenas 0,5% dos ativos do sistema financeiro, sua liquidação desencadeou tensões entre diversos órgãos públicos. A decisão gerou questionamentos simultâneos no STF, no TCU e no Congresso Nacional sobre as decisões técnicas do Banco Central. O BC chegou a um acordo com o TCU para a inspeção de documentos, sob a condição de que não houvesse comprometimento do sigilo bancário e das prerrogativas da autoridade monetária. O ministro Dias Toffoli, do STF, assumiu as ações judiciais relacionadas ao caso.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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