Mulheres Lideram Rede Nacional em Defesa do Clima e dos Territórios

© Gabriella Godoy/ Divulgação

Mulheres de diversas regiões do Brasil uniram-se em uma rede de apoio e articulação, impulsionadas pelo objetivo comum de promover a defesa ambiental e a justiça climática. Esta iniciativa, denominada Programa Defensoras por Defensoras, é promovida pela rede ambiental Observatório do Clima.

O programa reúne 36 mulheres que atuam na linha de frente do ativismo ambiental e climático. Elas compartilham vivências, enfrentam desafios e participam de formações contínuas, visando ao fortalecimento de suas lutas nos respectivos territórios e ao cuidado com as pessoas, o meio ambiente e a memória local.

Defensoras Ambientais: Vozes da Resiliência Climática

Sara Marques: A Luta pela Memória e Biodiversidade em Recife

Entre as participantes, está Sara Marques, natural da comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE). Crescendo às margens de um braço do Rio Capibaribe, ela testemunhou a profunda transformação de sua terra natal, que de uma rica região de pescadores e marisqueiras se tornou uma área impactada pelo crescimento urbano desordenado.

Sara recorda a outrora vibrante biodiversidade do local, com caranguejos, aratus, camarões e cavalos-marinhos. Hoje, o rio é improdutivo, e a comunidade sofre pressão por novos empreendimentos imobiliários, resultando na descaracterização de seu ecossistema pesqueiro, com o rio canalizado e a paisagem alterada, onde viveiros antes cheios de espécies produzem majoritariamente camarão.

Mirian Prochnow: Quatro Décadas de Restauração da Mata Atlântica

Em outro extremo do país, em Santa Catarina, Mirian Prochnow encontrou sua vocação para a defesa ambiental ao presenciar a devastação da Mata Atlântica que marcou sua infância. Há 40 anos, impulsionada por essa percepção, ela e um grupo de amigos fundaram a Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida (Apremavi).

O trabalho da Apremavi, que começou com a produção de 18 mudas nativas, hoje conta com um viveiro capaz de produzir mais de um milhão de mudas anualmente, abrangendo 200 espécies diferentes da Mata Atlântica, contribuindo significativamente para a restauração ecológica.

Val Munduruku: A Conexão entre Lutas Indígenas e a Crise Climática

A experiência e vivência em ações socioambientais e de gênero também motivaram Valdineia Sauré, conhecida como Val Munduruku, a integrar o programa. Nascida em Jacareacanga (PA), ela sempre esteve conectada às lutas indígenas de seu território, mesmo fora do contexto de aldeia.

Sua trajetória, incluindo a vida universitária, aprofundou sua compreensão sobre a interligação entre a proteção da terra, os impactos das mudanças climáticas e a forma como estes afetam diferentemente cada indivíduo. Para Val, o ativismo surge da união entre as causas da universidade, do território, do movimento de mulheres e da juventude.

O Poder da União Feminina e da Conscientização

Na união feminina, as participantes não só ganham força para enfrentar os desafios em seus territórios, mas também constroem uma comunicação eficaz que transcende os espaços coletivos. Elas buscam conscientizar um público mais amplo sobre os impactos da crise climática, destacando que comunidades pobres, indígenas e mulheres têm alertado sobre essas questões há tempos, mas sem a devida atenção.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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