A cotação do ouro no mercado internacional atingiu recentemente valores recordes, impulsionando uma trajetória de alta notável. Em uma sessão recente, a onça troy – unidade padrão equivalente a 31,1035 gramas – foi negociada em torno de US$ 5.280, alcançando um pico de US$ 5.326. Este marco representa a maior cotação já registrada para o ouro à vista, consolidando uma valorização expressiva de mais de 90% nos últimos 12 meses e superando pela primeira vez a barreira dos US$ 5.000.
Esse movimento reflete a lei econômica da oferta e demanda, indicando um interesse crescente pelo metal precioso como ativo. Um comportamento similar foi observado na prata, cuja onça troy subiu de US$ 30 para um recorde de US$ 115 em um ano, sendo negociada perto de US$ 112 em data recente.
Análise dos Fatores por Trás da Disparada
O Impacto da Geopolítica e a Incerteza Gerada por Donald Trump
A escalada dos preços do ouro tornou-se particularmente evidente a partir de janeiro de 2025, período em que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos. Desde então, a cotação da onça troy do ouro, que era de US$ 2,7 mil, quase dobrou. O economista Rodolpho Sartori, da agência classificadora de risco de crédito Austin Rating, atribui a alta dos metais a uma conjuntura global ‘recheada de incertezas’.
Historicamente, o ouro e a prata são reconhecidos como reservas de valor, ativos que preservam o poder de compra ao longo do tempo. Na análise de Sartori, a política econômica de Donald Trump é o principal catalisador dessa incerteza global. Ele destaca que o protecionismo e as tarifas impostas por Trump representam um rompimento com a tradição de livre comércio dos EUA, enquanto suas ‘truculências externas’ e ameaças a parceiros comerciais ampliam a desconfiança.
A professora de economia Gecilda Esteves, do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec-RJ), complementa a análise, citando a cobiça de Trump pela Groenlândia como um fator de turbulência geopolítica. A pressão exercida sobre a Dinamarca e países europeus por controle da ilha ‘abalou a confiança entre os Estados Unidos e a Europa, gerando receio de novas guerras comerciais’ em sua gestão.
Conflitos Globais Ampliam Cenário de Risco
Além das políticas de Trump, Gecilda Esteves aponta o conflito entre Ucrânia e Rússia, que se estende por quase seis anos, como um agravante do cenário de turbulência global. Segundo ela, o mercado interpreta esses eventos como um ‘risco geopolítico real e imediato’, o que naturalmente impulsiona a busca por ouro e prata.
Ouro: Refúgio para Investidores em Busca de Segurança
Diante desse quadro de instabilidade, investidores e governos têm direcionado seus capitais para o ouro e a prata, visando a segurança de seus patrimônios. Rodolpho Sartori enfatiza que, neste contexto, os metais atuam mais como ‘proteção’ contra a forte volatilidade do mercado, em vez de um investimento puramente especulativo. Eles buscam ‘trazer menos volatilidade para a carteira’.
Apesar de bancos centrais, incluindo o brasileiro, estarem ampliando suas reservas em ouro, Sartori não os considera os principais responsáveis pela disparada atual dos preços. Ele avalia que o movimento é impulsionado principalmente pelo mercado de investidores, que buscam nos metais uma forma de diversificar seus portfólios e mitigar os riscos inerentes à conjuntura econômica e política global.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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