Redução da Selic: Entidades Avaliam Corte como Insuficiente para o Setor Produtivo

© CNI/Miguel Ângelo/Direitos reservados

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) realizou, nesta quarta-feira (5), o quarto corte consecutivo na Taxa Selic, estabelecendo-a em 14% ao ano. Apesar de o ciclo de cortes ser visto como um sinal positivo, a nova redução de 0,25 ponto percentual é amplamente considerada insuficiente para impulsionar a economia e aliviar as restrições ao setor industrial, conforme avaliação de importantes entidades representativas.

Setor Industrial e a Demanda por Juros Mais Baixos

A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) destacou que, embora a continuidade da redução da Selic seja um sinal favorável à atividade econômica, o patamar ainda elevado da taxa de juros mantém o crédito caro e posterga investimentos. A entidade alerta que o elevado custo de capital inibe a modernização produtiva e limita a capacidade das empresas brasileiras de aumentar a produtividade e competir no cenário nacional e internacional. Essa realidade, segundo a Firjan, reflete-se no desempenho da indústria de transformação, que registrou um crescimento de apenas 0,4% no primeiro semestre do ano, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na mesma linha, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) lembrou que os juros permanecem em um patamar restritivo há 55 meses. A CNI apontou que a Taxa Selic está 3,6 pontos percentuais acima da taxa calculada com base na Regra de Taylor, estimada em 10,4% – uma métrica que busca equilibrar o controle inflacionário com o crescimento econômico. A confederação argumentou que a taxa de juros real, próxima a 10%, supera com folga a taxa de equilíbrio estimada pelo próprio Banco Central, de 5%, indicando haver espaço para cortes mais expressivos sem comprometer o combate à inflação.

Impacto na Geração de Empregos e no Consumo

Representando os trabalhadores, a Força Sindical também classificou a redução de 0,25 ponto percentual na Selic como insuficiente. Para a central sindical, juros elevados encarecem o crédito, desestimulam o consumo e os investimentos, impactando negativamente a geração de empregos. A entidade criticou a perda de uma “excelente oportunidade” de promover uma redução mais drástica, capaz de impulsionar o setor produtivo e alavancar a economia nacional.

A Decisão do Comitê de Política Monetária

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu pela quarta vez consecutiva reduzir a Taxa Selic, estabelecendo-a em 14% ao ano. A decisão foi tomada em reunião na sede do BC, em Brasília. Segundo a instituição, o ajuste gradual de 0,25 ponto percentual é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta no próximo período. O Banco Central também considerou o ambiente externo, mencionando a indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e a incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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