A ecoansiedade, também conhecida como ansiedade climática, é definida como um sentimento generalizado de angústia e preocupação com as consequências das mudanças climáticas. Este fenômeno, relativamente recente, já figura no radar de psicólogos, que enfatizam a necessidade de cuidar da saúde mental e incentivar o engajamento em ações ambientais.
Manifestações da Crise Climática e Seus Reflexos
A intensificação de desastres climáticos é uma realidade global. No Rio Grande do Sul, 95% das cidades foram afetadas por chuvas intensas entre o final de abril e maio, evidenciando a vulnerabilidade. Dados do Monitor do Fogo revelam que o Cerrado registrou um aumento de 221% nas áreas de queimadas em agosto de 2024. Paralelamente, a Amazônia enfrenta a pior seca já documentada, com os níveis dos rios atingindo mínimas históricas. Diante desse cenário, profissionais da psicologia e psiquiatria têm notado um aumento significativo da ecoansiedade.
O Impacto Pessoal da Preocupação Climática
A estudante universitária Lia Dias, por exemplo, descreve uma profunda incerteza sobre o futuro, temendo que os objetivos de vida, como a conclusão dos estudos ou a obtenção de um emprego, possam ser inviabilizados pela crise climática. Ela manifesta angústia e apreensão com eventos iminentes, como a previsão de um El Niño severo, questionando a segurança de seus familiares e sua própria sobrevivência.
Perfil e Impactos Psicossociais da Ecoansiedade
Um levantamento recente aponta que 74,3% das pessoas já experimentaram consequências diretas de desastres climáticos, como enchentes, queimadas e ondas de calor. Este cenário tem gerado efeitos emocionais e psicológicos na vida cotidiana: mais da metade dos entrevistados relatam sentimentos de nervosismo, ansiedade ou inquietação; 58% demonstram medo e 44% admitem estar excessivamente preocupados com as mudanças climáticas.
Grupos Mais Suscetíveis
A médica psiquiatra Luciane Farias elucida que, embora a ansiedade climática possa afetar qualquer indivíduo, estudos indicam maior prevalência entre adolescentes e adultos jovens. Essa faixa etária, por projetar uma vida mais longa, percebe com maior clareza a extensão das consequências climáticas. A condição também é mais comum em residentes de regiões frequentemente atingidas por desastres naturais, como inundações e secas, e entre profissionais das áreas ambiental, científica e da saúde. Pessoas com transtornos de ansiedade preexistentes ou maior sensibilidade emocional formam outro grupo vulnerável, não por fragilidade, mas por uma percepção mais intensa das ameaças.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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