A economia brasileira registrou um crescimento de 0,7% na passagem de abril para maio, conforme dados do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). Divulgado nesta segunda-feira (20), o levantamento aponta que o trimestre móvel encerrado em maio apresentou uma alta de 1,9% em comparação com o mesmo período de 2023. No acumulado de 12 meses, a variação positiva alcançou 1,7%.
O Monitor do PIB, que estima o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB) com base em dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária, indica que o resultado de maio marca a retomada de uma trajetória de crescimento positivo. Nos meses anteriores, a economia havia registrado recuo de -0,1% em abril e estabilidade em março (0%), após crescimentos de 0,5% em fevereiro e 0,7% em janeiro.
Consumo das Famílias Lidera o Crescimento
A FGV destaca que o principal motor do desempenho econômico foi o consumo das famílias, que expandiu 3,3% no trimestre móvel até maio. Este é o maior patamar desde o quarto trimestre de 2023, quando houve um avanço de 4%. Mais de 60% desse crescimento foi impulsionado pelo consumo de serviços e de bens duráveis.
A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, sublinhou que o consumo doméstico foi o grande responsável pelo resultado positivo. Contudo, Trece alerta para a existência de “fragilidades” na composição do PIB brasileiro.
Sinais de Arrefecimento e Desafios Setoriais
Apesar da recuperação mensal em maio, o indicador de 12 meses (1,7%) aponta para uma desaceleração e perda de fôlego da economia, especialmente quando comparado a março deste ano (3%) e a maio de 2023 (3,8%). Conforme Juliana Trece, o crescimento da agropecuária ocorre após uma sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra uma perda de fôlego do setor, e apenas o setor de serviços apresenta um desempenho ligeiramente superior à média geral observada no início do ano.
A concentração do crescimento no consumo das famílias sugere uma dependência desse componente, uma vez que as exportações e os investimentos registraram quedas. “Embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, avalia Trece.
Comportamento de Exportações, Importações e Investimentos
As exportações registraram um crescimento de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2023 (2,1%). A FGV explica que essa redução se deve ao crescimento significativamente inferior da indústria extrativa mineral. Em contraste, as importações apresentaram alta de 8,9%, marcando o terceiro trimestre móvel consecutivo de expansão.
A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede o investimento na economia (como a compra de máquinas e equipamentos), expandiu 2% no trimestre móvel. Esta é a segunda expansão após quatro trimestres móveis consecutivos de recuo. A taxa de investimento da economia em maio foi estimada em 18,6%, a segunda maior do ano, superada apenas por fevereiro (19,2%).
PIB Acumulado e Outros Indicadores Econômicos
Em termos monetários, o PIB acumulado até maio é estimado pela FGV em R$ 5,466 trilhões em valores correntes.
Além do Monitor do PIB da FGV, outros indicadores fornecem um panorama da economia brasileira. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (17), apontou expansão de 0,1% de abril para maio e de 1,4% em 12 meses. O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No final de maio, o IBGE divulgou um crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2024. A próxima divulgação, referente ao segundo trimestre de 2024, está prevista para 1º de setembro.
Projeções para o Ano Corrente
As expectativas do mercado financeiro, coletadas no Relatório Focus do Banco Central (BC), estimam que a economia brasileira encerrará 2024 com uma alta de 1,99%. A previsão do Ministério da Fazenda é ligeiramente mais otimista, projetando uma variação de 2,3%.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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