A economia brasileira registrou uma expansão de 2,3% no ano de 2025, marcando o quinto ano consecutivo de crescimento. No quarto trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB), que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país, teve um avanço marginal de 0,1% em comparação com o trimestre anterior. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em uma terça-feira, 3.
Em valores correntes, o PIB nacional atingiu R$ 12,7 trilhões em 2025. O PIB per capita, que reflete o valor dividido pela população, alcançou R$ 59.687, representando um crescimento real de 1,9% em relação a 2024, já descontada a inflação.
Desempenho por Setor Produtivo
A análise pela ótica da produção revelou que todas as atividades econômicas contribuíram para o crescimento em 2025. O setor de Agropecuária destacou-se com um impressionante aumento de 11,7%, impulsionado por recordes na produção e ganhos de produtividade em culturas como milho (23,6%) e soja (14,6%). Este setor foi responsável por 32,8% do crescimento total do PIB no ano.
A Indústria cresceu 1,4%, com ênfase na extração de petróleo e gás, que elevou o valor adicionado das indústrias extrativas em 8,6%. Já a Construção manteve-se estável, com leve variação positiva de 0,5%. O setor de Serviços, por sua vez, registrou expansão de 1,8%, com todas as suas atividades contribuindo, incluindo informação e comunicação (6,5%), atividades financeiras (2,9%) e transporte (2,1%).
As quatro atividades de maior impacto na expansão econômica foram agropecuária, indústria extrativa, outras atividades de serviço e informação e comunicação, que juntas responderam por 72% do crescimento do PIB no ano passado.
Contribuição da Demanda
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias aumentou 1,3% em 2025, beneficiado pela melhoria do mercado de trabalho, o aumento do crédito e a implementação de programas governamentais de transferência de renda. No entanto, este desempenho representa uma desaceleração em comparação com os 5,1% de crescimento observados em 2024. A moderação é atribuída, principalmente, à política monetária contracionista, caracterizada por um patamar elevado de juros.
O consumo do governo cresceu 2,1% em 2025. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que mede os investimentos, expandiu 2,9%, impulsionada pelo aumento na importação de bens de capital, desenvolvimento de software e a atividade na indústria da construção. A taxa de investimento em 2025 foi de 16,8% do PIB (ante 16,9% em 2024), enquanto a taxa de poupança alcançou 14,4% (frente a 14,1% em 2024).
Resultados do Quarto Trimestre de 2025
No confronto entre o quarto e o terceiro trimestre de 2025, a economia registrou estabilidade. Pela ótica do consumo, os setores de serviços e agropecuária cresceram 0,8% e 0,5%, respectivamente, enquanto a indústria sofreu um recuo de 0,7%. Na perspectiva da despesa, o consumo do governo subiu 1%, o consumo das famílias permaneceu estável (0%), e a Formação Bruta de Capital Fixo (investimentos) retraiu 3,5%.
Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, explicou que a estabilidade do PIB no trimestre, mesmo com a queda nos investimentos, deveu-se à sustentação do consumo das famílias e ao crescimento do consumo governamental.
Impacto da Política Monetária
A desaceleração econômica em 2025 está diretamente ligada ao aperto monetário. Em setembro de 2024, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) iniciou um ciclo de alta da taxa básica de juros, a Selic, partindo de 10,5% ao ano e chegando a 15% em junho de 2025, patamar que se manteve. Essa medida visava conter a inflação, influenciando todas as demais taxas de juros e atuando de forma restritiva na economia, encarecendo o crédito.
A meta de inflação do governo é de 3% no acumulado de 12 meses, com tolerância de 1,5 ponto percentual (p.p.) para mais ou para menos. Contudo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o indicador oficial da inflação, permaneceu fora do intervalo de tolerância por 13 meses, abrangendo a maior parte do ano de 2025.
Histórico de Crescimento Anual
O comportamento da economia brasileira nos últimos cinco anos de crescimento foi o seguinte:
2021: 4,8%2022: 3,0%2023: 3,2%2024: 3,4%2025: 2,3%
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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