O acompanhamento das redes sociais de um mediador nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã revelou uma drástica reviravolta em apenas 48 horas. Conversas sobre os limites do programa nuclear iraniano, que pareciam promissoras, culminaram em uma ofensiva militar que resultou em centenas de mortes.
Os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra cidades iranianas, ocorridos neste sábado (28), interceptaram rodadas de encontros entre representantes do então presidente americano Donald Trump e do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Esta escalada ocorreu após Israel afirmar ter atingido mais de 500 alvos no Irã com cerca de 200 caças.
A Diplomacia Interrompida: A Cronologia do Mediador
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr AlBusaidi, atuava como mediador externo nas tensas negociações, buscando um novo acordo entre as partes. Seu perfil na plataforma X (antigo Twitter) documentou a rápida transição da esperança de paz para a consternação em menos de dois dias.
O Otimismo Inicial e o Progresso Declarado
Em 22 de fevereiro, o mediador expressou satisfação ao confirmar uma rodada de conversas entre Estados Unidos e Irã agendada para quinta-feira (26) em Genebra, Suíça, destacando um “impulso positivo para ir além e buscar a finalização do acordo”.
As negociações de 26 de fevereiro terminaram com “progresso significativo”, conforme declarado por AlBusaidi. Ele anunciou que os negociadores retornariam a seus países para consultas e que discussões técnicas ocorreriam na semana seguinte em Viena.
Em 27 de fevereiro, Badr AlBusaidi publicou uma foto de seu encontro com o vice-presidente americano J.D. Vance, relatando a troca de detalhes sobre o progresso das negociações. O mediador manifestou gratidão pelo engajamento e a expectativa de “avanços adicionais e decisivos nos próximos dias”, concluindo que “a paz está ao nosso alcance”. No mesmo dia, em entrevista à CBS News, ele reiterou que um acordo de paz estava próximo, focado na ausência de armas nucleares, estoque zero e verificação abrangente, de forma pacífica e permanente.
A Consternação Após a Ofensiva Militar
Contrariando o otimismo da véspera, em 28 de fevereiro, dois dias após o “progresso significativo” ser anunciado, o mediador expressou profunda “consternação” nas redes sociais. Ele lamentou que as negociações “ativas e sérias foram mais uma vez prejudicadas”, afirmando que tal desfecho não beneficia os interesses dos Estados Unidos nem a causa da paz global. AlBusaidi finalizou sua mensagem com um apelo aos Estados Unidos para que não se deixem “arrastar ainda mais”, declarando: “Esta não é a sua guerra”, e orando “pelos inocentes que irão sofrer”.
A Raiz do Conflito: O Programa Nuclear Iraniano e Acordos Anteriores
A disputa sobre o programa nuclear do Irã tem se arrastado por anos, com Teerã sustentando que seu programa visa fins pacíficos. No entanto, os Estados Unidos e aliados, notadamente Israel, acusam o país de buscar fins militares. O nível de enriquecimento de urânio é um fator crucial para determinar a finalidade de um programa nuclear.
O Acordo de 2015 e a Retirada Americana
Em 2015, o então presidente americano Barack Obama, do Partido Democrata, firmou um acordo com o Irã que previa a limitação da capacidade de enriquecimento de urânio em troca do alívio de sanções econômicas.
Em 2017, Donald Trump, do Partido Republicano, assumiu a presidência e, em 2018, retirou os Estados Unidos do acordo. Posteriormente, após pressão e ameaças de guerra, Trump sinalizou a necessidade de um novo acordo, levando o Irã de volta à mesa de negociação.
Consequências Humanitárias e Repercussões Estratégicas
A ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel ao Irã resultou em um elevado número de vítimas. O Crescente Vermelho, organização humanitária, reportou ao menos 201 pessoas mortas e 747 feridas. Entre as vítimas, destaca-se a morte de pelo menos 85 alunas em uma escola no sul do Irã, atingida por bombardeios.
Diante dos ataques, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião de emergência para discutir a escalada da violência.
A localização geográfica de Omã, país do Oriente Médio ao sul do Irã e separado pelo Golfo de Omã, confere-lhe um papel estratégico, especialmente pela sua Península de Musandam, que forma o estreito de Ormuz. Após os ataques, o Estreito de Ormuz ganhou destaque na indústria do petróleo, por onde transita cerca de 20% da produção mundial. Analistas temem que o Irã possa bloquear o estreito, o que provocaria uma escalada drástica nos preços da matéria-prima no mercado internacional.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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