Saúde dos Oceanos Piora Rapidamente, Alerta ONU, Ameaçando Clima e Costa Brasileira

© Prefeitura Macaé/Divulgação

A Terceira Avaliação Global dos Oceanos, recentemente divulgada pelas Nações Unidas (ONU), emite um grave alerta: a saúde dos mares está se deteriorando rapidamente, gerando impactos diretos na economia e na segurança do Brasil. O pesquisador marinho Ronaldo Christofoletti, coautor do relatório, enfatizou em entrevista à ONU News as consequências desse cenário para o país.

Degelo Recorde e Desregulação Climática

A Antártica registrou um degelo recorde nos últimos quatro anos. Esse fenômeno influencia drasticamente a sociedade brasileira ao aumentar o volume de água nos oceanos e desregular a interação entre o oceano e a atmosfera. Tal desequilíbrio altera as frentes frias, que são cruciais para a regulação do clima no Brasil, impactando o agronegócio e o ciclo de chuvas.

Como resultado direto do degelo nos polos, a taxa de elevação do nível do mar cresceu mais de 50% nos últimos quatro anos, atingindo 4,3 milímetros por ano. Este avanço ameaça os mais de 8 mil quilômetros da costa brasileira e suas capitais, com algumas regiões já experienciando erosão costeira, conforme observou Christofoletti.

A alteração na relação entre a umidade da Amazônia e as frentes frias provenientes da Antártica, causada pelo degelo, potencializa desastres climáticos. Exemplos recentes incluem os eventos severos registrados no Rio Grande do Sul e na região Sudeste do país.

Ameaças da Poluição Marinha

O relatório também destaca um aumento alarmante da poluição. Nos últimos quatro anos, o número de espécies animais marinhas com microplásticos no corpo triplicou. Adicionalmente, 56 substâncias farmacêuticas foram detectadas nos oceanos, resultado tanto do descarte inadequado quanto da excreção humana na rede de esgoto.

Ronaldo Christofoletti avalia que essa poluição por esgoto, fármacos e plástico está afetando todo o ambiente marinho, tornando o oceano “intoxicado”. Um oceano sem saúde perde sua capacidade vital de regular o clima, intensificando os desafios climáticos globais.

A Urgência da Ciência e o Potencial do Fundo do Mar

O estudo enfatiza que o investimento em ciência é fundamental para que o Brasil e o mundo possam enfrentar a crise climática e garantir a segurança alimentar. O fundo do mar, ainda menos conhecido que a superfície da Lua, representa uma fronteira de pesquisa essencial.

Christofoletti aponta que as profundezas oceânicas podem abrigar matéria-prima para novos medicamentos e minerais raros, cruciais para o desenvolvimento de novas tecnologias. A exploração desses recursos, contudo, só pode ser sustentável se for guiada por um profundo conhecimento científico de seu potencial.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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