Colômbia sedia conferência internacional para traçar rota de descarbonização global

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A cidade de Santa Marta, na Colômbia, tornou-se o epicentro de discussões cruciais sobre o futuro energético global com a realização, a partir desta sexta-feira (24), da 1ª Conferência Internacional sobre Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis. O evento congrega uma diversidade de atores, incluindo representantes de aproximadamente 60 países, governos locais, povos indígenas, comunidades tradicionais, organizações sociais, cientistas e diplomatas. O objetivo central é reunir subsídios para a elaboração de um Mapa do Caminho que guiará a transição energética mundial, visando reduzir progressivamente a dependência de combustíveis fósseis.

Estrutura e Propósito da Conferência

Promovida pelos governos da Colômbia e da Holanda, a conferência foi concebida como uma plataforma para debates aprofundados, pautados pela horizontalidade e democracia. Os organizadores esclarecem que o encontro não tem caráter de órgão de negociação, não integra qualquer processo ou iniciativa formal e não substitui os trabalhos da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC).

A programação está estruturada em três eixos temáticos: Superação da dependência econômica, Transformação da oferta e da demanda, e Promoção da cooperação internacional e diplomacia climática. Paralelamente, está prevista a formação de uma coalizão de países engajados em processos de transformação concretos, que compartilharão experiências e implementarão iniciativas financeiras, fiscais e regulatórias. O evento também contará com diálogos setoriais, o lançamento de um Painel Científico para Transição Energética e uma assembleia de pessoas. A Cúpula de líderes encerrará a Plenária Geral nos dias 28 e 29 de abril.

O 'Mapa do Caminho' e a Participação Global

Um dos pontos focais da conferência é o ‘Mapa do Caminho‘, uma proposta de origem brasileira lançada em novembro de 2025, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), agendada para Belém (PA). Embora não tenha havido consenso para a inclusão do tema no documento final da COP30 na ocasião, 80 países expressaram apoio à ideia de construir uma estratégia global para a descarbonização.

Com previsão de entrega em novembro, coincidindo com a COP31 em Antália, na Turquia, o ‘Mapa do Caminho‘ encontra-se em estágio avançado de construção. A presidência brasileira da COP está atualmente analisando as contribuições recebidas por meio de uma chamada pública internacional, que se encerrou em 10 de abril. Países como Austrália, Canadá, México, Noruega e a União Europeia, que representam uma parcela significativa do mercado de combustíveis fósseis, reafirmaram interesse no debate. Contudo, Estados Unidos, China e Índia optaram por não participar.

A Voz das Organizações Sociais

No Brasil, a proposta do ‘Mapa do Caminho‘ impulsionou uma expressiva mobilização social, com contribuições de diversas organizações, incluindo povos indígenas e redes que representam centenas de instituições. Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, destaca o papel estratégico da delegação brasileira em Santa Marta para fomentar consensos e catalisar iniciativas globais em ações concretas. Segundo Fujii, “Em um momento de instabilidade internacional, a liderança brasileira pode ajudar a articular esforços formais e informais, fortalecendo a cooperação climática e entregando respostas concretas para a sociedade”.

A iniciativa colombiana, país que integra o território amazônico, também foi elogiada pelas organizações. Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, ressalta a simbologia de sediar a primeira conferência internacional sobre transição energética justa na região. Ela aponta para as tentativas de exploração de petróleo na Foz do Amazonas como um alerta. “Explorar petróleo e gás na Amazônia terá significativas consequências socioambientais locais e globais, já que o bioma é essencial para manter o equilíbrio climático do mundo. Em Santa Marta, esperamos que os países reforcem a urgência de barrar a expansão da indústria fóssil na Amazônia antes que os danos sejam irreversíveis”, conclui Andrade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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