Combate ao Machismo: Especialistas Destacam Papel Crucial de Família e Escola

© Fernando Frazão/Agência Brasil

Dados recentes da Rede de Observatórios da Segurança revelam a gravidade da violência contra a mulher no Brasil. Em 2023, nove estados monitorados pela rede — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo — registraram uma média de 12 agressões diárias, totalizando 4.558 vítimas de violência no ano. Esse cenário, avaliam especialistas, é reflexo de um machismo estrutural persistente que demanda a urgente inclusão dos homens na construção de soluções para erradicá-lo. Pesquisa da ONU Mulheres e do Instituto Papo de Homem corrobora essa percepção, indicando que 81% dos homens e 95% das mulheres consideram o Brasil um país machista.

A Urgência de um Novo Olhar sobre a Masculinidade

O psicólogo **Flávio Urra**, que atua na reeducação de agressores, observa que, enquanto as mulheres avançaram na legitimação de pautas importantes, muitos homens permanecem presos a modelos tradicionais, de décadas atrás, buscando um ideal de família e mulher que não corresponde mais à realidade. No entanto, exemplos de transformação existem, como o engenheiro **Carlos Augusto Carvalho**, de **55 anos**, que, em diálogos com outros homens, compreendeu a necessidade de um combate diário e contínuo ao machismo, percebendo-o como algo enraizado que precisa ser erradicado.

A Família como Berço de Transformação

Para o psicólogo e terapeuta familiar **Alexandre Coimbra Amaral**, as dinâmicas familiares são cruciais na formação da visão de mundo de crianças e adolescentes, atuando como um “país” que dita códigos culturais. Ele ressalta que, embora existam diversas formas de ser homem, a cultura familiar que impõe um padrão tradicional e rígido de masculinidade pode fomentar comportamentos violentos. Amaral explica que essa “biografia enrijecida” ensina que homens devem deter poder, dominar e submeter, e que a violência surge quando essa dinâmica de dominação e obediência é questionada. Ele defende um diálogo familiar aberto, onde o homem não apenas justifique sua criação, mas reflita criticamente sobre os prejuízos pessoais e sociais que essa formação tradicional pode ter causado.

Repensando Identidades e a Educação Parental

O educador parental **Peu Fonseca** argumenta pela construção de uma nova identidade coletiva e social, elaborada por homens e mulheres, que se afaste dos padrões que historicamente levaram à violência contra a mulher. Ele enfatiza a urgência de ensinar os meninos a gostar e respeitar as meninas, sem se sentirem ameaçados por elas ocuparem novos espaços. Fonseca, pai de João, Irene, Teresa e Joaquim, destaca que o desafio dos pais é acolher, dialogar e orientar, sendo guias e “fluxo” para que as crianças se lancem ao mundo, em vez de controlá-las. Complementando essa visão, o consultor de empresas **Felipe Requião**, que trabalha com equidade de gênero, aponta que a família, ao lado da escola e das redes sociais, é protagonista na formação da masculinidade – seja ela benéfica ou tóxica – e deve ativamente evitar o reforço de estereótipos como “homem não chora” ou que associam tarefas domésticas apenas a um gênero.

O Papel Complementar da Escola

A escola emerge como um ambiente complementar e indispensável nessa transformação. O psicólogo **Alexandre Coimbra Amaral** defende que a questão de gênero seja incorporada de forma obrigatória à grade escolar. Ao lado da família, a instituição de ensino tem o potencial de desconstruir preconceitos e promover valores de respeito e equidade desde cedo, colaborando para a formação de novas gerações de homens com masculinidades mais saudáveis e menos propensas à violência.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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