O Irã alertou o mundo para a possibilidade de o preço do petróleo atingir US$ 200 por barril, enquanto suas forças militares atacavam navios mercantes na quarta-feira. Paralelamente, a Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou uma liberação massiva de reservas estratégicas para mitigar um dos choques mais severos no mercado de petróleo desde a década de 1970.
Escalada Militar e Impacto Geopolítico
A guerra, deflagrada por ataques aéreos conjuntos de Estados Unidos e Israel há quase duas semanas, resultou na morte de aproximadamente 2 mil pessoas, em sua maioria iranianos e libaneses. O conflito se expandiu para o Líbano, provocando instabilidade nos mercados globais de energia e transporte. Apesar da intensidade dos ataques aéreos, o Irã retaliou, atingindo Israel e outros alvos no Oriente Médio na quarta-feira.
Na terça-feira anterior, três embarcações teriam sido atingidas no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que seus disparos visaram navios que desobedeceram suas ordens. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que a operação “continuará sem limite de tempo até que todos os objetivos sejam atingidos”.
Reações e Perspectivas Internacionais
O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por outro lado, sugeriu que a guerra não duraria muito, afirmando ao site Axios que “praticamente não havia mais nada” a ser atingido no Irã e que “quando eu quiser que ela termine, ela terminará”. A ABC News noticiou um alerta do FBI sobre a possibilidade de drones iranianos atacarem a costa oeste dos EUA, embora Trump tenha minimizado a preocupação com ataques em solo norte-americano.
Posteriormente, Trump informou que forças americanas haviam destruído 28 navios iranianos lançadores de minas e previu uma queda nos preços do petróleo. O Departamento de Estado dos EUA também emitiu um alerta sobre possíveis planos do Irã e milícias aliadas para atacar a infraestrutura de petróleo e energia de propriedade dos EUA no Iraque, mencionando ataques anteriores a hotéis frequentados por americanos, inclusive na região do Curdistão iraquiano. Autoridades americanas e israelenses reiteraram o objetivo de desmantelar a capacidade iraniana de projetar força além de suas fronteiras e destruir seu programa nuclear.
Impacto nos Mercados Globais e Resposta Energética
Os preços do petróleo, que no início da semana haviam chegado a US$ 120 por barril antes de recuarem para cerca de US$ 90, registraram uma alta de quase 5% na quarta-feira, impulsionados por novos temores de interrupção no fornecimento. Os principais índices de ações de Wall Street, por sua vez, registraram quedas.
A situação no Estreito de Ormuz, canal bloqueado que serve de passagem para cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece crítica, sem sinais de navegação segura. Fontes indicaram que o Irã teria implantado cerca de uma dezena de minas no estreito. Os militares americanos alertaram o Irã para manter distância de portos com instalações da Marinha iraniana, ao que o Irã respondeu que centros econômicos e comerciais da região se tornariam “alvos legítimos” caso seus portos fossem ameaçados.
Com os preços do combustível já em alta em alguns países e as implicações políticas para o Partido Republicano de Trump antes das eleições de meio de mandato em novembro, a questão do petróleo tornou-se um fator urgente nos cálculos do conflito.
A Agência Internacional de Energia (AIE), que representa as principais nações consumidoras de petróleo, recomendou a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas globais para estabilizar os preços. Esta seria a maior intervenção de seu tipo na história, rapidamente endossada por Washington. O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, adiantou que empresas petrolíferas americanas em breve anunciarão um aumento na produção interna.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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