EUA Lançam Coalizão Militar ‘Escudo das Américas’ com 12 Países da América Latina

© REUTERS/Elizabeth Frantz - Proibido reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou nesse sábado (7), em Miami, a criação da coalizão militar “Escudo das Américas”. O pacto reúne 12 nações latino-americanas com o objetivo declarado de combater cartéis de drogas na região e afastar a influência de “adversários” externos ao Hemisfério Ocidental, em uma alusão indireta a potências como China e Rússia.

Escopo e Fundamentação da Coalizão

Durante o evento, Trump enfatizou a necessidade de erradicar os grupos criminosos que, segundo ele, assolam a região. “Neste dia histórico, nos reunimos para anunciar uma nova coalizão militar para erradicar os cartéis criminosos que assolam nossa região”, declarou. O presidente estadunidense comparou a iniciativa aos esforços dos EUA no Oriente Médio. “Assim como formamos uma coalizão para erradicar o ISIS [grupo considerado terrorista] no Oriente Médio, devemos agora fazer o mesmo para erradicar os cartéis em nossos países”, completou.

A coalizão conta com a participação de Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, República Dominicana e Trinidad e Tobago. Notavelmente, a cerimônia não incluiu falas dos presidentes latino-americanos presentes.

Documento Oficial e Contexto Geopolítico

A Casa Branca publicou, também no sábado, uma proclamação presidencial detalhando a Coalizão das Américas contra os Cartéis. O documento afirma que os Estados Unidos “treinarão e mobilizarão os militares das nações parceiras para alcançar a força de combate mais eficaz necessária para desmantelar os cartéis”. Além do combate ao tráfico de drogas, o texto menciona explicitamente o enfrentamento a influências estrangeiras consideradas prejudiciais. “Os Estados Unidos e os seus aliados devem manter as ameaças externas afastadas, incluindo as influências estrangeiras malignas provenientes de fora do Hemisfério Ocidental”, diz o comunicado, interpretado como parte da disputa comercial e geopolítica com a China.

A formação da coalizão ocorre uma semana após o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, ter sinalizado a possibilidade de “agir sozinho” em países latino-americanos para combater cartéis, o que gerou preocupações sobre a soberania das nações da região.

Liderança e Foco da Iniciativa

Para coordenar a interlocução com os 12 países, o governo Trump nomeou a secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem. Segundo Noem, com as fronteiras estadunidenses já seguras, o foco agora se expande para a segurança dos “vizinhos” no combate aos cartéis e à influência “estrangeira”. Ela declarou: “Vamos combater e reverter essas influências estrangeiras nocivas que se infiltraram em muitos de nossos negócios, nossas tecnologias e que vimos se infiltrar em diferentes áreas do nosso modo de vida”.

Reações e Ausências Notáveis

O México não participou do acordo militar. O presidente Trump mencionou o país, afirmando que “tudo entra pelo México” e que estaria “controlado” por cartéis. Ele acrescentou: “Não podemos permitir isso. Muito perto de nós”, oferecendo a colaboração dos EUA para erradicar os cartéis. A presidenta mexicana, Claudia Sheinbaum, tem defendido uma abordagem de “coordenação e sem subordinação, como iguais” no combate às drogas com Washington, rejeitando operações militares estadunidenses em território mexicano por questões de soberania.

Em outros comentários, Trump mencionou o governo venezuelano, afirmando que estavam conseguindo “trabalhar juntos” com Caracas. Em contraste, renovou ameaças a Cuba, declarando que “está no fim da linha” e antecipando uma “grande mudança” na ilha.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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