Em uma carta direcionada “ao povo dos Estados Unidos da América” e “aqueles que continuam a buscar a verdade”, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que a nação persa não nutre inimizade contra outras populações, incluindo as da América, Europa ou países vizinhos. O líder iraniano ressaltou a distinção clara que os iranianos sempre fizeram entre governos e os povos que eles governam, um princípio cultural profundamente enraizado, não uma posição política passageira.
O extenso texto, redigido em inglês, foi divulgado em 1º de julho em uma publicação na rede social X. Na mensagem, Pezeshkian citou as repetidas intervenções estrangeiras sofridas pelo Irã ao longo da história e manifestou a intenção de combater o que classificou como “enxurrada de distorções e narrativas fabricadas”.
Perspectiva Histórica e Geográfica
A carta destaca que o Irã, uma das civilizações contínuas mais antigas da história humana, nunca optou pelo caminho da agressão, expansão, colonialismo ou dominação, apesar de suas vantagens históricas e geográficas. Pezeshkian afirmou que as ações do Irã constituem uma resposta comedida, fundamentada na legítima autodefesa, e de forma alguma uma iniciativa de guerra ou agressão.
Presença Militar dos EUA e Desconfiança
O presidente iraniano chamou a atenção para a concentração significativa de forças, bases e capacidades militares dos Estados Unidos ao redor do Irã. Ele argumentou que agressões americanas recentes, lançadas a partir dessas bases, demonstraram a ameaça real dessa presença militar. “Naturalmente, nenhum país submetido a tais condições deixaria de fortalecer suas capacidades defensivas”, enfatizou.
Deterioração das Relações Bilaterais
Masoud Pezeshkian ponderou que as relações entre Irã e EUA nem sempre foram hostis. A deterioração, segundo ele, começou quando os norte-americanos articularam um golpe de Estado para derrubar o então primeiro-ministro democraticamente eleito, Mohammad Mossadegh, em uma ação conhecida como Operação Ajax, com apoio do Reino Unido. Esse golpe, que ocorreu após o governo iraniano nacionalizar os recursos petrolíferos do país, desestruturou o processo democrático e restaurou uma ditadura, semeando uma profunda desconfiança.
Essa desconfiança se aprofundou com o apoio americano ao regime do xá, o respaldo a Saddam Hussein durante a guerra imposta nos anos 1980, a imposição das mais longas e abrangentes sanções da história moderna e, finalmente, agressões militares não provocadas — por duas vezes, inclusive em meio a negociações — contra o Irã.
Resiliência e Desenvolvimento Iraniano
Apesar das intensas pressões, Pezeshkian observou que estas falharam em enfraquecer o Irã, que se fortaleceu em diversas áreas após a Revolução Islâmica. Ele citou o triplicar das taxas de alfabetização, a expansão significativa do ensino superior, avanços expressivos em tecnologia moderna, melhoria dos serviços de saúde e desenvolvimento de infraestrutura em ritmo e escala incomparáveis. O presidente, no entanto, reconheceu o impacto destrutivo das sanções, da guerra e da agressão na vida do “resiliente povo iraniano”.
Questionamentos sobre os Interesses dos EUA
O líder iraniano questionou se os interesses do povo norte-americano estão sendo genuinamente atendidos por essa “guerra”. Ele indagou se “havia alguma ameaça objetiva por parte do Irã que justificasse tal comportamento?” e se o “massacre de crianças inocentes, a destruição de instalações farmacêuticas de tratamento contra o câncer, ou vangloriar-se de bombardear um país ‘de volta à idade da pedra’ serve a algum propósito além de prejudicar ainda mais a posição global dos Estados Unidos“.
Pezeshkian reiterou que o Irã buscou negociações e cumpriu todos os seus compromissos. Ele concluiu que a decisão de se retirar de acordos, escalar o confronto e lançar atos de agressão em meio a negociações foram escolhas destrutivas feitas pelo governo dos EUA.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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