Mercado Reage: Dólar Cai, Bolsa Recua e Petróleo Dispara Após Decisão do Federal Reserve

© Valter Campanato/Agência Brasil

Na última quarta-feira (29), os mercados financeiros globais foram marcados por oscilações significativas. O dólar encerrou o dia em queda, e o índice Ibovespa registrou recuo, ambos influenciados pela decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros nos Estados Unidos. Em contraste, os preços do petróleo experimentaram uma valorização acentuada, impulsionada pelo agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Decisão do Federal Reserve e Seus Impactos

O Federal Reserve optou por manter sua taxa básica de juros na faixa de 3,50% a 3,75%. A decisão, que já era amplamente esperada, foi seguida por um discurso percebido como mais moderado do presidente da instituição, Kevin Warsh, o que provocou uma reação imediata nos mercados. Warsh reafirmou o compromisso do banco central com a meta de inflação de 2%, mas também apontou para sinais recentes que indicam um comportamento positivo para os preços, o que foi interpretado como uma postura menos agressiva.

Apesar do tom mais suave, a votação no Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi dividida: nove integrantes votaram pela manutenção dos juros, enquanto Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan defenderam uma elevação de 0,25 ponto percentual. Mesmo com a divisão, o mercado continuou precificando uma elevada probabilidade de aumento dos juros na próxima reunião de setembro.

Dólar Recua no Cenário Doméstico

A moeda estadunidense oscilou durante boa parte do dia e fechou em R$ 5,108, com queda de 0,27%. No ponto mais baixo da sessão, atingiu R$ 5,09. A manutenção dos juros nos EUA e o discurso do Fed contribuíram para a perda de força global do dólar. No cenário doméstico, o câmbio foi favorecido por um maior apetite por operações de carry trade, beneficiadas pela diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos. Adicionalmente, a valorização do petróleo, commodity exportada pelo Brasil, impulsionou o fluxo de recursos para o país. Dados econômicos nacionais, como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial, tiveram menor impacto nesse contexto.

Bolsa Brasileira Sofre Pressão Externa

Na B3, o índice Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 1,52%, fechando em 173.885 pontos. A performance negativa foi principalmente puxada pelas ações do setor bancário. O ambiente externo contribuiu para a pressão, com a divisão de opiniões no Fed gerando incertezas sobre a trajetória da política monetária americana e o aumento das tensões geopolíticas elevando a aversão ao risco nos mercados globais. Em Nova York, o índice S&P 500 também registrou queda de 1,55%.

As ações da Petrobras, as mais negociadas na bolsa brasileira, ajudaram a mitigar parte das perdas do Ibovespa. Os papéis ordinários da estatal subiram 2,35%, e os preferenciais valorizaram-se 1,92%, impulsionados pela disparada das cotações internacionais do petróleo.

Petróleo Dispara com Tensões Geopolíticas

Os preços do petróleo interromperam uma sequência de quedas e avançaram mais de 7%. A alta foi motivada pela intensificação dos confrontos entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O barril do tipo Brent para entrega em outubro, referência para o mercado internacional, fechou em alta de 7,32%, cotado a US$ 88,09. Já o petróleo WTI, do Texas, para entrega em setembro, subiu 6,56%, para US$ 84,46.

A escalada dos ataques envolvendo forças americanas e grupos apoiados pelo Irã, somada às declarações do presidente Donald Trump sobre uma possível resposta militar e o risco de um conflito maior em uma das principais regiões produtoras de petróleo do mundo, impulsionou a valorização. Além disso, a queda dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, acima do esperado pelo mercado, também contribuiu para o cenário de alta.

Principais Indicadores do Dia

Ao final do pregão, os indicadores financeiros registraram: Dólar à vista a R$ 5,108 (-0,27%); Ibovespa em 173.885 pontos (-1,52%); Petróleo tipo Brent a US$ 88,09 o barril (+7,32%); e Petróleo tipo WTI a US$ 84,46 o barril (+6,56%).

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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