Petróleo e Produtos Agropecuários Impulsionam IGP-M, que Desacelera para 0,52% em Março

© Fernando Frazão/Agência Brasil/Arquivo

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, registrou alta de 0,52% em março, marcando uma desaceleração em comparação com o avanço de 0,73% observado em fevereiro. A pressão inflacionária no período foi influenciada principalmente por produtos agropecuários e derivados de petróleo. Anunciado nesta segunda-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), o índice acumula uma deflação de 1,83% nos últimos 12 meses.

Componentes do IGP-M e as Pressões no Atacado

O IGP-M é composto por três indicadores. O de maior peso, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que reflete a inflação sentida pelos produtores e corresponde a 60% do índice total, apresentou alta de 0,61% em março. Segundo o economista do Ibre, Matheus Dias, a principal pressão de alta no IPA veio do setor agropecuário, com contribuições significativas de produtos como bovinos, ovos, leite, feijão e milho.

Entre os itens agrícolas, os ovos registraram um aumento de 16,95% em março, após já terem subido 14,16% em fevereiro. O feijão encareceu 20,91% no mês, seguindo uma elevação de 13,77% em fevereiro.

O cenário externo também impactou o índice. Dias ressaltou que “o agravamento do cenário geopolítico no Oriente Médio já se reflete nos preços de derivados de petróleo, indicando a disseminação dessas pressões para outros segmentos”. O subgrupo produtos derivados do petróleo subiu 1,16% em março, revertendo a deflação de 4,63% observada em fevereiro. No entanto, em 12 meses, este subgrupo ainda apresenta um patamar consideravelmente baixo, com deflação de -14,13%.

A escalada de preços do petróleo globalmente está ligada ao conflito no Oriente Médio, que se intensificou em 28 de fevereiro com ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã. A região é estratégica para a produção petrolífera e abriga rotas cruciais, como o Estreito de Ormuz, por onde transita 20% da produção mundial, gerando distorções na cadeia de suprimentos.

Os outros dois componentes do IGP-M são o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador e aumentou 0,30% em março, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que teve alta de 0,36% no mês. Na cesta de consumo das famílias, o principal vetor de pressão no IPC em março foi a gasolina, com expansão de 1,12%.

IGP-M: O 'Inflação do Aluguel' e Seus Efeitos nos Contratos

O IGP-M é amplamente conhecido como “inflação do aluguel” porque seu acumulado de 12 meses é frequentemente utilizado como base para o cálculo de reajustes anuais em contratos imobiliários. Além disso, serve como indexador para algumas tarifas públicas e serviços essenciais.

Contudo, um IGP-M acumulado negativo não garante necessariamente a redução nos valores dos aluguéis. Isso ocorre devido à inclusão de cláusulas contratuais, como “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, que na prática aplicam o reajuste apenas se o índice for positivo.

A FGV realiza a coleta de preços que compõem o índice nas cidades de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento para o resultado de março foi de 21 de fevereiro a 20 de março.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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