Reconhecimento Facial: Revolução no Acesso e Segurança de Estádios Brasileiros

© Divulgação/Bepass/Direitos Reservados

A era dos ingressos físicos para acompanhar o time do coração está com os dias contados. Há quase um ano, estádios brasileiros com capacidade superior a 20.000 pessoas passaram a exigir, obrigatoriamente, o acesso por meio da biometria facial. Este sistema elimina a necessidade de apresentar um tíquete físico na entrada, permitindo que o torcedor libere a catraca apenas pelo reconhecimento do rosto, previamente cadastrado no momento da compra da entrada. Tal mudança marca uma transformação significativa na experiência do público e na gestão da segurança em grandes eventos esportivos.

Biometria Facial: Ampliando o Público e Combatendo Fraudes

O principal objetivo da biometria é personalizar o ingresso, conforme explica Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass, uma das empresas que desenvolvem o sistema no país. Ele afirma que a medida “elimina a possibilidade de esse ingresso ficar circulando entre várias pessoas, de poder emprestar, trocar”, e combate a fraude, pois “você não tem como copiar a face”. O cadastro facial é realizado uma única vez durante a aquisição da entrada online, tornando o processo de acesso ágil e seguro.

O Allianz Parque, em São Paulo, destacou-se como o primeiro estádio do mundo a implementar a tecnologia em todos os seus acessos já em 2023. A Bepass, responsável pela implantação na arena do Palmeiras, registrou um aumento de quase três vezes na velocidade de entrada do público. O clube, por sua vez, observou um incremento de pelo menos 30% no número de sócios-torcedores. A praticidade é um dos pontos mais elogiados, como exemplifica o motoboy Marcos Antônio de Oliveira Saturnino, que frequenta a Arena Barueri com as filhas: “Para nós, é mais prático e rápido, pois compramos [o ingresso] on-line, fazemos a [biometria] facial uma vez e já libera”.

A adoção do reconhecimento facial impulsionou o aumento de diferentes perfis de público nos estádios. Melchert aponta um crescimento notável de famílias, com **32%** mais mulheres e **26%** mais crianças entre 2023 (antes da Lei Geral do Esporte) e 2025. A média de torcedores no Brasileirão Masculino de 2023 também subiu: após a biometria se tornar obrigatória, a média de público em **269** partidas foi de 26.513 pessoas, superando a média geral de 25.531 por jogo e representando um aumento de aproximadamente 4%.

Além da exigência legal para grandes arenas, alguns clubes menores, como o Santos, na Vila Belmiro (capacidade para cerca de 15 mil pessoas), também instituíram o reconhecimento facial em 2024. O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, ressalta que o sistema permite “evitar questões inerentes a ingressos falsos e cambistas”, além de gerar uma economia estimada em R$ 100 mil mensais, ou R$ 1,2 milhão anuais, ao eliminar a confecção de carteirinhas de sócios. Teixeira adiciona que a tecnologia proporcionou “mais condições de conforto e segurança para os torcedores que estejam vindo à Vila Belmiro” e permitiu “cadastrar um número recorde de pessoas”.

A Lei Geral do Esporte e o Reforço na Segurança Pública

A obrigatoriedade da biometria em estádios com mais de 20 mil torcedores está consolidada no Artigo 148 da Lei Geral do Esporte, sancionada em 14 de junho de 2023. A legislação estabeleceu um prazo de dois anos para a completa adoção do sistema. Um dos grandes avanços em segurança pública decorre da conexão dos sistemas de biometria com o Banco Nacional de Mandados de Prisão. Os dados são cruzados em tempo real e, caso o torcedor possua alguma pendência jurídica, as autoridades policiais são acionadas imediatamente.

Um exemplo prático ocorreu em 15 de março, durante o clássico entre Santos e Corinthians, na Vila Belmiro, pelo Brasileirão Masculino, quando três homens foram detidos: um deles procurado por roubo e os outros dois por não pagamento de pensão alimentícia. Em nível nacional, o projeto “Estádio Seguro”, lançado em 2023, é fruto de um acordo de cooperação entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os ministérios do Esporte e da Justiça e Segurança Pública. No estado de São Paulo, a parceria entre os clubes e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) integra os equipamentos de reconhecimento facial ao programa “Muralha Paulista”, um sistema de monitoramento com câmeras em todo o estado que já identificou e deteve mais de 280 foragidos ao tentarem acessar as arenas.

Fernando Melchert detalha o processo de segurança: “Como o ingresso é personalizado, a gente sabe quem é o comprador. Isso é enviado para a Secretaria de Segurança, que faz uma varredura para ver se há alguma pendência e retorna a informação para o controle de acesso e, obviamente, ao time de segurança que fica nas arenas. O objetivo é que a Polícia cumpra esse mandato no momento que essa pessoa frequentar o estádio.”

Preocupações e o Debate sobre a Privacidade dos Dados

Apesar dos benefícios evidentes em segurança e agilidade, a implementação do reconhecimento facial em larga escala nos estádios não está isenta de questionamentos, especialmente no que tange à privacidade e ao uso dos dados coletados. O relatório “Esporte, Dados e Direitos”, desenvolvido pelo projeto “O Panóptico” do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), manifesta preocupação com a adoção da tecnologia nos estádios e advoga por seu banimento, alinhando-se à posição de “instituições e organizações civis nacionais e internacionais” que monitoram e criticam a expansão dessa tecnologia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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