Trump Endurece Retórica Contra Irã e Minimiza Impacto no Preço do Petróleo

© REUTERS/Kevin Lamarque/Proibida reprodução

Em seu primeiro pronunciamento nacional desde o início do conflito no Oriente Médio, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou na noite de quarta-feira, 1º de janeiro, que as forças militares americanas estavam “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa do Irã. Segundo Trump, os objetivos “estratégicos centrais” do conflito, que durava 32 dias, estavam próximos de serem atingidos.

Durante o discurso de aproximadamente 20 minutos, o presidente exaltou as vitórias que alegava ter obtido no campo de batalha e prometeu intensificar os ataques nas semanas seguintes, embora não descartasse a possibilidade de negociações.

Ameaças e Perspectivas de Negociação

Trump alertou que o país seria atacado “com extrema força nas próximas duas a três semanas”, prometendo “levá-los de volta à idade da pedra”. Contudo, afirmou que as negociações continuavam. Ele esclareceu que a mudança de regime nunca foi um objetivo declarado, mas que ela ocorreu devido à morte de “praticamente todos os líderes originais”. O presidente descreveu o “novo grupo” no poder como “menos radical e mais razoável”, mas advertiu que, na ausência de um acordo, “alvos estratégicos definidos” seriam atacados, mencionando especificamente usinas de geração de energia.

Ele também justificou a decisão de não atacar a infraestrutura petrolífera iraniana, apesar de ser um alvo fácil, para não eliminar “qualquer chance de sobrevivência ou reconstrução” do país.

Alegações de Vitória e a Questão do Estreito de Ormuz

Sem apresentar evidências concretas, Trump reiterou ter “destruído e esmagado” forças militares iranianas, incluindo a Marinha e a Força Aérea. No entanto, ele não ofereceu explicações para o fato de o Estreito de Ormuz, via marítima por onde transitava até 20% das exportações globais de petróleo, permanecer sob controle e restrição iranianos, gerando impactos nos preços internacionais dos combustíveis.

Sobre o Estreito, Trump afirmou que os EUA não dependiam do petróleo comercializado por essa rota e que outros países, dependentes do canal, deveriam assumir a responsabilidade pela sua proteção. “Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso”, declarou, acrescentando que os EUA ajudariam, mas esses países deveriam liderar a proteção da passagem.

Impacto no Petróleo e Aliados Regionais

O presidente minimizou o recente aumento no preço do petróleo, descrevendo-o como uma “situação passageira”. Ele atribuiu a alta a “ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos que nada têm a ver com o conflito”, usando o incidente como prova de que o Irã “jamais pode ser confiável com armas nucleares”.

Trump também agradeceu e mencionou aliados no Oriente Médio, como Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Esses países, que abrigam bases militares americanas, têm sido alvo de retaliação iraniana em resposta a ações dos EUA e Israel.

Comparativo Histórico e Silêncio sobre Protestos Domésticos

Para justificar a continuidade do conflito, Trump comparou sua duração de 32 dias com outros engajamentos militares históricos dos EUA, citando a Primeira Guerra Mundial (1 ano, 7 meses, 5 dias), a Segunda Guerra Mundial (3 anos, 8 meses, 25 dias), a Guerra da Coreia (3 anos, 1 mês, 2 dias), a Guerra do Vietnã (19 anos, 5 meses, 29 dias) e a Guerra do Iraque (8 anos, 8 meses, 28 dias). Ele concluiu que a operação atual era um “investimento real no futuro de seus filhos e netos”.

Notavelmente, o presidente não fez menção aos múltiplos protestos que reuniram milhões de americanos em cidades como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, além de dezenas de outras localidades, durante o fim de semana anterior. As manifestações criticavam o envolvimento do governo na guerra e as políticas de deportação de imigrantes. Segundo a imprensa americana, à época, Trump enfrentava sua pior avaliação de mandato, com cerca de um terço de aprovação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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