Emissões Globais por Incêndios Atingem Mínima Histórica em 20 Anos, Aponta Copernicus
O observatório europeu Copernicus divulgou, nesta segunda-feira (6), que o primeiro semestre de 2023 registrou o menor nível global de emissões de gases de efeito estufa decorrentes de incêndios desde o início da série histórica em 2003. Esta marca representa um recorde em duas décadas de monitoramento.
Detalhes da Queda Recorde
No período de 1º de janeiro a 30 de junho de 2023, as emissões de carbono provenientes de incêndios somaram menos de 400 megatoneladas (milhões de toneladas). Este valor reforça uma tendência geral de declínio, contrastando significativamente com as medições de 2003, quando as emissões ultrapassavam um gigatonelada (bilhão de toneladas) de carbono. A série histórica nunca havia registrado um valor abaixo de 500 megatoneladas antes deste ano.
Redução Impulsionada pela África Tropical
Conforme dados do Sistema Global de Assimilação de Incêndios (GFAS), a queda nas emissões globais é atribuída principalmente à redução dos incêndios sazonais na África tropical. O continente africano registrou aproximadamente 154 megatoneladas de carbono no período, comparado às 213 megatoneladas no mesmo semestre de 2022. A Ásia também demonstrou uma diminuição, passando de 164 para 113 megatoneladas de carbono. A América do Sul, embora contribua com um volume menor, viu suas emissões caírem de 40,9 para 38,8 megatoneladas de carbono.
Focos de Atividade Intensa
Apesar da redução global, algumas áreas registraram intensa atividade de incêndios florestais. No início de janeiro, o estado de Victoria, no sudeste da Austrália, foi palco de grandes incêndios, acompanhados de temperaturas recordes. Na América do Sul, destacaram-se incêndios na região de Biobío, no Chile, e na província de Chubut, na Patagônia argentina, durante o primeiro semestre.
Alerta sobre o El Niño
Mark Parrington, cientista sênior do Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus, alertou que, apesar do recorde positivo, a observação de incêndios intensos nas últimas semanas na Eurásia e na América do Norte é um motivo de preocupação. Ele enfatizou que a situação pode ser agravada pelo fenômeno El Niño, que tende a impactar as condições climáticas e intensificar a seca sazonal.
Parrington relembrou que as condições do El Niño podem aumentar as emissões globais de incêndios, como ocorrido em 2015 e 2019. Nesses anos, a queima persistente de biomassa na Indonésia resultou em uma neblina regional generalizada e uma severa degradação da qualidade do ar.
Metodologia de Monitoramento e Previsão
O sistema utilizado pelo Copernicus emprega observações de satélites para estimar a potência dos incêndios florestais, calculando as emissões de carbono e outros poluentes. A previsão da evolução desses incêndios é feita por meio da integração de dados com o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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