O Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), lançado em quarta-feira (1º) pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), delineia uma carteira de 187 projetos estruturantes. A iniciativa visa expandir o transporte público em mais de 3 mil quilômetros nas 21 regiões metropolitanas mais populosas do Brasil. O investimento total estimado para a execução desses projetos varia entre R$ 400 bilhões e R$ 430 bilhões.
Impacto e Abrangência do Estudo
Desenvolvido entre 2024 e 2026 em parceria com o Ministério das Cidades, o ENMU avaliou projetos com base em projeções populacionais e de demanda para um horizonte de 30 anos. Os projetos têm como meta aprimorar a infraestrutura e a qualidade de vida dos usuários, além de elevar a segurança no trânsito, gerar renda para a população e contribuir para a redução das emissões de gás carbônico (CO₂).
Os investimentos propostos abrangem a expansão de modais como metrô, trem urbano, BRT (Bus Rapid Transit), VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) e a criação de novos corredores de transporte.
Regiões Contempladas
As 21 regiões metropolitanas abrangidas pelo estudo incluem: Belém, Belo Horizonte, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Maceió, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, Santos, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória, além do Distrito Federal.
Financiamento e Implementação
O BNDES poderá viabilizar o financiamento dos projetos por meio do Fundo Clima, uma linha de crédito voltada a iniciativas que promovam a redução de gases de efeito estufa e a adaptação às mudanças climáticas. A previsão é que 80% dos investimentos sejam de origem pública, enquanto os 20% restantes virão de contratos de parceria com a iniciativa privada. A estruturação dos projetos buscará integrar bilhetagem e tarifação nas redes de transporte.
O primeiro empreendimento já contratado com o BNDES prevê a expansão da rede de transporte de Belo Horizonte (MG), aumentando-a de 84,2 quilômetros (km) para 314,1 km, um acréscimo de 229,9 km, com investimentos de R$ 35,6 bilhões. A estimativa é que os 187 projetos possam ser realizados em aproximadamente 15 anos.
Benefícios Projetados
Entre os benefícios esperados pela superintendente da Área de Soluções para as Cidades do BNDES, Luciene Machado, estão a redução de 15% no tempo de deslocamento e de 11% no custo operacional por viagem. O estudo também projeta um aumento no número de embarques diários e na taxa de retorno econômico.
Adicionalmente, os projetos podem evitar a emissão de 3 milhões de toneladas de CO₂ por ano, aumentar a acessibilidade em 30% e prevenir mais de 27 mil vítimas anuais em sinistros de trânsito. Durante a fase de implantação, estima-se a geração de mais de 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos por ano, com demanda por até 6,6 mil ônibus elétricos, 2,4 mil carros metroferroviários e 600 composições de VLT.
Perspectivas Oficiais
Segundo Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, os projetos mapeados serão um guia para as ações do governo federal, através do Ministério das Cidades, e também para prefeitos e governadores na área de transporte.
O ministro das Cidades, Vladimir Lima, avaliou que o estudo terá um impacto positivo nas cidades brasileiras, comparando-o a um “Minha Casa Minha Vida para a mobilidade urbana”. Ele ressaltou que as soluções devem considerar aspectos sociais como segurança, conforto e previsibilidade, além das questões climáticas e econômicas, afirmando que “melhorar a mobilidade é devolver tempo para as pessoas estudarem, trabalharem e ficarem com suas famílias”.
A superintendente Luciene Machado explicou que o ENMU busca reverter o ciclo vicioso de receitas insuficientes para investimentos em mobilidade. Atualmente, os investimentos no setor correspondem a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), mas o potencial é de atingir 0,25% do PIB, representando R$ 20 bilhões por ano.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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