Fintechs Notificadas por Intermediação em Apostas Ilegais no Brasil

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Ministério da Fazenda notificou recentemente 37 fintechs sob suspeita de intermediar transações financeiras para casas de apostas que operam ilegalmente no Brasil. A ação visa combater o mercado clandestino de apostas, determinando que as instituições financeiras encerrem imediatamente qualquer relação com essas plataformas e bloqueiem os valores movimentados. O descumprimento poderá resultar na destinação desses recursos aos cofres públicos.

Medidas do Governo Contra o Mercado Clandestino

As notificações foram enviadas em uma operação conjunta da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), vinculada ao Ministério da Fazenda, e da Receita Federal. Segundo dados governamentais, as fintechs foram responsáveis pela movimentação de recursos de aproximadamente 160 casas de apostas e milhares de sites sem autorização para atuar no território nacional.

Prazos e Consequências para as Instituições

As fintechs têm até 28 de agosto para se adequar às novas regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), o que inclui o encerramento do relacionamento com as empresas de apostas ilegais. Após a entrada em vigor da resolução, as instituições terão um prazo de 24 horas para bloquear todas as contas vinculadas às empresas notificadas. Em caso de descumprimento, as fintechs poderão ser responsabilizadas solidariamente pelas operações, sujeitas a multas proporcionais ao montante movimentado. Os recursos bloqueados serão repassados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, conforme prevê a regulamentação.

Base Legal e Ampliação da Fiscalização

A fundamentação jurídica para essas ações é um decreto editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em junho, que estabeleceu mecanismos para bloquear recursos de casas de apostas ilegais e responsabilizar instituições facilitadoras. O decreto também concedeu à SPA a autoridade para notificar instituições financeiras envolvidas. Complementarmente, o governo, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), já removeu mais de 54 mil sites irregulares relacionados ao mercado clandestino de apostas.

O Cenário das Plataformas Irregulares no Brasil

Estimativas governamentais indicam que entre 41% e 51% das plataformas de apostas acessadas no Brasil operam sem autorização, atingindo cerca de 25,2 milhões de usuários. Essas empresas evitam cumprir exigências impostas às operadoras regularizadas, como o pagamento de outorga de R$ 30 milhões, a manutenção de sede no país, a constituição de reserva financeira para pagamento de prêmios, o recolhimento de tributos e a adoção de mecanismos de proteção ao apostador, como a autoexclusão, além de regras de publicidade e jogo responsável.

Regulamentação do Setor de Apostas e Seus Objetivos

A atividade de apostas de quota fixa foi autorizada em 2018, mas permaneceu sem regulamentação efetiva por anos. A partir de 2023, o governo federal iniciou a estruturação de um marco regulatório robusto para o setor, visando ampliar a fiscalização e estabelecer regras claras para as empresas autorizadas. As medidas atuais buscam dificultar a atuação de plataformas clandestinas e fortalecer o controle sobre um mercado que movimenta bilhões de reais anualmente no país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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