Banco Central Eleva Projeção de Crescimento do PIB para 2% em 2026, Impulsionado por Setores-Chave

© Marcello Casal JrAgência Brasil

O Banco Central (BC) reviu para cima sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, elevando-a de 1,6% para 2%. A informação foi divulgada no Relatório de Política Monetária da autarquia, apresentado nesta quinta-feira, 25 de maio de 2026, e reflete um desempenho econômico mais robusto que o esperado.

Detalhes do Crescimento e Fatores Determinantes

A revisão positiva se baseia, principalmente, no crescimento surpreendente de 1,1% da economia no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o trimestre anterior. Todos os três grandes setores — agropecuária, indústria e serviços — contribuíram para essa expansão.

O BC também aponta para a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa, além do maior dinamismo da demanda interna, incluindo o consumo das famílias e investimentos empresariais. Estímulos de natureza fiscal e creditícia são vistos como importantes impulsionadores. Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, marcando o quinto ano consecutivo de expansão.

Contrariamente a esse impulso, a expectativa de uma trajetória mais elevada para as taxas de juros tende a mitigar parte desse crescimento, conforme ressaltado no relatório da autoridade monetária.

Política Monetária e a Taxa Selic

O Relatório de Política Monetária detalha as diretrizes do Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa básica de juros, a Selic, principal instrumento do BC para o controle da inflação. O documento avalia a evolução e as perspectivas da economia.

A Selic permaneceu em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, atingindo um dos patamares mais altos em quase duas décadas. Em março de 2026, o Copom iniciou um ciclo de cortes em resposta à queda da inflação. Contudo, a guerra no Oriente Médio, com seu impacto nos preços de combustíveis e alimentos, dificultou um ritmo de redução mais acelerado.

Na última reunião, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, marcando o terceiro corte consecutivo. Apesar dos progressos, a autoridade monetária mantém a cautela, reconhecendo a persistência de incertezas decorrentes dos conflitos internacionais e seus potenciais efeitos na economia doméstica.

Cenário Inflacionário

A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), atingiu 0,58% em maio de 2026, impulsionada principalmente pelos preços dos alimentos. O acumulado em 12 meses alcançou 4,72%, superando o teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3% com intervalo de tolerância de 1,5 p.p. (entre 1,5% e 4,5%).

As projeções do BC indicam que a inflação deve continuar em alta até o fim de 2026, permanecendo acima do limite superior da meta por mais de dois trimestres consecutivos, com uma esperada desaceleração apenas em 2027. A probabilidade de a inflação exceder o teto de 4,5% em 2026 saltou de 30% para 79% em relação ao relatório anterior. Para o quarto trimestre de 2027, a inflação projetada é de 3,7%.

Vários fatores contribuem para essa elevação das projeções, incluindo a surpresa altista do IPCA, a estimativa mais alta para o hiato do produto, o aumento nos preços do petróleo e commodities, e o crescimento das expectativas de inflação. Em contrapartida, a trajetória mais elevada da Selic e a apreciação cambial são vistas como fatores que podem atenuar parte desse aumento inflacionário.

Projeções para o Crédito

A projeção para o crescimento do saldo do crédito, destinado tanto a pessoas físicas quanto a empresas, foi mantida em 9% para 2026. Houve uma revisão para baixo na expectativa de crescimento do crédito livre, que foi compensada por um crescimento maior projetado para o crédito direcionado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


Descubra mais sobre Bastidores da Nação

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Mais recentes

Descubra mais sobre Bastidores da Nação

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading