Bloco Quilombola do Rio Homenageará Preta Gil no Carnaval de 2026

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

A única agremiação do Rio de Janeiro com raízes quilombolas, o Bloco Rola Preguiçosa – Tarda Mas Não Falha, anunciou que prestará homenagem à cantora Preta Gil no Carnaval de 2026. A artista faleceu em julho de 2025, após uma batalha contra um câncer de intestino.

Detalhes da Homenagem e do Desfile

A iniciativa de reverenciar Preta Gil partiu de Felipe Montfort, diretor da agremiação, que foi colega de escola de Maria Gil, irmã da cantora, no Colégio Andrews. A escolha de Preta Gil como tema é também um reconhecimento à sua ligação com o bairro de Ipanema, onde nasceu e foi criada na Rua Barão da Torre. O enredo, aprovado após três reuniões, conta com um samba composto por Luiz Sacopã, 84 anos, criador do bloco.

O desfile do Bloco Rola Preguiçosa está marcado para a sexta-feira de Carnaval, 13 de fevereiro de 2026, em Ipanema. A concentração terá início às 18h, na Rua Maria Quitéria, esquina com a Avenida Epitácio Pessoa, na Lagoa Rodrigo de Freitas, com saída prevista para as 20h. A dispersão ocorrerá na confluência das ruas Farme de Amoedo e Visconde de Pirajá. Segundo a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), o bloco costuma atrair um público estimado entre 70 mil e 80 mil pessoas.

O Bloco Rola Preguiçosa: Origem e Tradição

Fundado há cerca de 40 anos por Luiz Sacopã, o Bloco Rola Preguiçosa destaca-se por ser a única agremiação carnavalesca carioca a ter sua origem em um quilombo. O nome do bloco foi escolhido na década de 1990, durante o auge da epidemia de AIDS no Brasil. Apesar de uma inicial censura, a denominação foi mantida após conversa com o designer Hans Donner, que criou a primeira camiseta, e a frase “Tarda Mas Não Falha” foi adicionada para evitar problemas e provocar censura. O primeiro desfile, em 1993, teve a participação de Valéria Valenssa como rainha e da atriz e cantora Zezé Mota como madrinha.

Conhecido por sua abordagem democrática, o Rola Preguiçosa – Tarda Mas Não Falha não exige fantasias específicas, incentivando os foliões a usarem as camisetas temáticas, que são lançadas anualmente. As camisetas são desenhadas pelo cenógrafo Abel Gomes, renomado por seus trabalhos na Árvore de Natal da Lagoa Rodrigo de Freitas, direção das Olimpíadas de 2016 no Rio e cenografia do Réveillon de Copacabana desde 2007. A participação no bloco é gratuita, sendo a compra da camiseta opcional. O samba-enredo da homenagem a Preta Gil já foi lançado e inclui o refrão: “E uma estrela lá no céu surgiu. Eu vou segui-la, não me leve a mal. Essa estrela é Preta Gil, iluminando o nosso carnaval”.

Quilombo Sacopã: História e Legado

O Quilombo Sacopã, situado às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, é o berço do bloco. Sua história remonta a 1929, quando Manoel Pinto Júnior se estabeleceu na Ladeira do Sacopã, vindo de Nova Friburgo com sua esposa Eva Manoela Cruz e seus cinco filhos. Os descendentes de Manoel Pinto Júnior adotaram a denominação de quilombolas em 1999 e, em 2005, receberam a certificação da Fundação Palmares. Em 2014, o governo federal concedeu-lhes o título de reconhecimento de domínio sobre as terras.

Atualmente, o Quilombo Sacopã ocupa uma área de 6,4 mil metros quadrados (m²), parte da qual se integra ao Parque Natural Municipal José Guilherme Merquior. Conforme informações de Luiz Sacopã à Agência Brasil, o quilombo congrega nove famílias, todas parentes, totalizando 26 pessoas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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