Centrais Sindicais Apresentam Plano de Ação Contra Tarifas dos EUA

© Erich Sacco/ Adobe Stock

Centrais Sindicais Detalham Plano de Ação Contra Tarifas dos EUA

As principais centrais sindicais do Brasil apresentaram um documento detalhando propostas para mitigar os impactos das tarifas impostas pelos **Estados Unidos** a diversos produtos brasileiros. O plano foi entregue ao ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, **Márcio Elias Rosa**, durante reunião em **São Paulo**, na **sexta-feira, 31 de agosto**.

O documento expressa profunda preocupação com o agravamento da guerra comercial global, alertando para os múltiplos impactos sobre a economia nacional, os empregos e a soberania produtiva e política do Brasil. Entre as principais demandas, destacam-se a proteção dos empregos, a ampliação dos investimentos públicos e o fortalecimento da produção nacional.

Estratégias para Fortalecer a Economia Nacional

As entidades sindicais defendem um conjunto de medidas para enfrentar a instabilidade externa. Elas propõem o incentivo à produção nacional através de políticas de compras públicas e conteúdo local, além da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura social e produtiva, que abrange áreas como transporte, energia, habitação, saúde e educação. O fortalecimento do **Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)** também é considerado crucial nesse cenário.

Para a proteção do mercado de trabalho, o documento sugere que a manutenção das vagas de emprego seja uma condição para que empresas acessem programas de socorro governamentais. Outra frente de ação é a busca ativa por novos mercados para os produtos brasileiros afetados pelas tarifas norte-americanas.

Desenvolvimento com Inclusão e Justiça Social

As centrais sindicais enfatizam a necessidade de aprimorar um modelo de desenvolvimento focado na inclusão e justiça social, com mecanismos de proteção contra choques externos. Esse modelo deve ser estruturado na geração e proteção de empregos, no combate à precarização do trabalho e no fortalecimento da capacidade de consumo das famílias, por meio da valorização da renda do trabalho.

O texto também inclui a revisão da **Lei de Patentes** para combater abusos de propriedade intelectual e o fortalecimento do **Mercosul** como um instrumento essencial de integração econômica e desenvolvimento regional. Para os trabalhadores diretamente afetados pelo comércio internacional, são propostos fundos de compensação e programas de transição, juntamente com o fortalecimento da organização sindical para assegurar a negociação coletiva nos setores impactados.

O documento foi assinado conjuntamente por **CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB e NCST**.

Ação Brasileira na Organização Mundial do Comércio

Paralelamente às propostas sindicais, o governo brasileiro adotou medidas diplomáticas. Na **segunda-feira, 27 de agosto**, o Brasil encaminhou à **Organização Mundial de Comércio (OMC)** um documento classificando as tarifas aplicadas pelos **Estados Unidos** como “inconsistentes” com as obrigações do país sob o **Acordo Geral de Tarifas e Comércio 1994**. O Brasil argumenta que é preterido pelos EUA em relação a outros membros da **OMC**.

Este documento faz parte de um pedido de consultas formais aos **Estados Unidos** dentro do sistema de solução de controvérsias da **OMC**. A fase inicial busca uma solução negociada para o conflito, evitando a eventual formação de um painel para analisar o caso.

As centrais sindicais expressaram apoio às ações adotadas pelo governo brasileiro em relação às tarifas, bem como à **Lei de Reciprocidade Econômica**, aprovada pelo Congresso Nacional no ano anterior.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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