As principais entidades representativas de jornalistas no Brasil expressaram veemente repúdio às agressões e ameaças sofridas por profissionais de imprensa. Os ataques ocorreram durante a cobertura da internação do ex-presidente da República Jair Bolsonaro em um hospital particular de Brasília. A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) divulgaram notas cobrando proteção aos profissionais e apuração rigorosa dos incidentes.
O Repúdio das Entidades Jornalísticas
Campanha de Difamação e Agressões
A onda de ameaças e ofensas intensificou-se após a divulgação de um vídeo por uma influenciadora digital bolsonarista. No conteúdo, a influenciadora acusava jornalistas presentes na porta do Hospital DF Star, à espera de atualizações sobre o estado de saúde de Bolsonaro, de desejarem a morte do ex-presidente. O vídeo foi amplamente compartilhado por figuras públicas, incluindo parlamentares e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que possui vasta audiência em suas redes sociais.
A Abraji classificou a divulgação do vídeo, sem qualquer verificação prévia, como um gesto irresponsável. Segundo a associação, o material foi deturpado e expôs jornalistas, que estavam simplesmente exercendo seu trabalho, a ameaças e difamações. Em nota emitida no domingo, 15 de outubro, a Abraji enfatizou a gravidade da situação: “É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa. Esse tipo de ataque não é apenas uma ameaça individual — é um ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia.”
Os ataques não se restringiram ao ambiente virtual. A Abraji registrou que, no mínimo, duas repórteres foram agredidas após serem reconhecidas em espaços públicos. Além disso, foram disseminados vídeos e montagens produzidas com o uso de inteligência artificial, incluindo simulações de esfaqueamento de uma das profissionais. Fotos de filhos e parentes de jornalistas também estão sendo utilizadas como tática de intimidação e assédio.
Exigências de Proteção e Apuração
Em um comunicado conjunto, a Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal reforçaram o pedido de proteção aos trabalhadores. As entidades ressaltaram que “é dever do Estado garantir a segurança dos profissionais em locais públicos e de interesse jornalístico” e anunciaram que solicitarão reforço da Polícia Militar na frente do hospital para prevenir “cerceamento e agressões” ao trabalho da imprensa por parte de militantes.
As associações também demandam a apuração rigorosa das ameaças, visando impedir a recorrência de tais episódios. Elas solicitam às autoridades policiais e ao Ministério Público que identifiquem e punam os responsáveis pelas ameaças virtuais e pela exposição indevida de dados dos profissionais de imprensa.
Além disso, as entidades exigem que as empresas de jornalismo proporcionem condições seguras de trabalho aos seus empregados, oferecendo apoio jurídico e a possibilidade de afastamento do local da cobertura, caso não se sintam seguros. Concluíram, reafirmando que “a liberdade de imprensa é um pilar fundamental da democracia. O jornalismo é essencial para levar fatos ao conhecimento público, e não pode ser cerceado por métodos de coação física ou psicológica. Não aceitaremos a intimidação como método político.”
Estado de Saúde do Ex-Presidente
Jair Bolsonaro foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital DF Star na manhã de sexta-feira, 13 de outubro, para tratamento de uma broncopneumonia bacteriana bilateral de provável origem aspirativa. O boletim médico mais recente indicou que seu quadro clínico é estável e houve melhora na função renal.
Contudo, a elevação dos marcadores inflamatórios no sangue levou a equipe médica a ampliar a dosagem de antibióticos. Não há previsão de quando Bolsonaro poderá deixar a UTI. A Agência Brasil informou não ter conseguido contato com a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal e a Polícia Civil para verificar o registro de boletins de ocorrência relacionados aos ataques sofridos pelos jornalistas.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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