Ministério da Saúde Inicia Projeto-Piloto com Semaglutida para Obesidade no SUS

© REUTERS/Hollie Adams/Proibida reprodução

O Ministério da Saúde anunciou na última sexta-feira, 26 de abril, o lançamento de um projeto-piloto para avaliar o uso da semaglutida em pacientes com obesidade grave atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa terá início no Rio Grande do Sul, com a participação de pacientes acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição.

A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. O projeto visa analisar a efetividade, o impacto clínico e o custo desse tipo de tratamento para a obesidade no contexto do SUS.

Inicialmente, serão contemplados 250 pacientes do SUS que já recebem acompanhamento no Grupo Hospitalar Conceição. O foco são indivíduos com obesidade grave ou associada a outras comorbidades, como comprometimento cardíaco, e que possuam indicação para cirurgia bariátrica. Segundo a pasta, 91% dos pacientes com obesidade na unidade apresentam a forma mórbida da doença, e apenas 47% possuem condições clínicas para cirurgia, sendo a hipertensão arterial a comorbidade mais prevalente nesse grupo.

Critérios de Seleção e Monitoramento

Além de já estarem em acompanhamento médico no Grupo Hospitalar Conceição, os pacientes selecionados devem ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses e apresentar falha documentada em tratamentos clínicos convencionais, como dietas estruturadas e atividade física regular por no mínimo dois meses. Outros requisitos incluem a capacidade de compreender e realizar a autoaplicação do medicamento ou contar com um cuidador para o procedimento.

Ao longo de dois anos de estudo, serão avaliados indicadores cruciais para a adaptação do tratamento à realidade do SUS, como o percentual de perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos envolvidos. A pesquisa será financiada por recursos transferidos ao hospital pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), provenientes de aporte financeiro da produtora do medicamento.

Contexto da Incorporação no SUS

Em agosto do ano passado, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) havia emitido uma recomendação desfavorável à incorporação da liraglutida e da semaglutida no SUS. O pedido de inclusão foi feito pela Novo Nordisk, farmacêutica fabricante do Wegovy (que contém semaglutida). O principal entrave para a incorporação foi o elevado custo estimado dos medicamentos, com um impacto financeiro projetado em R$ 8 bilhões anuais.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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