Novo Vazamento em Mina da Vale Agrava Cenário Ambiental em Congonhas (MG) Após Incidente Anterior

© Foto: Gustavo Andrade/Vale

A cidade de Congonhas, em Minas Gerais, registrou um novo episódio de extravasamento de água em uma mina da Vale, intensificando as preocupações ambientais após um incidente semelhante ocorrido menos de 24 horas antes. O caso mais recente, identificado na mina Viga, marca o segundo evento em um curto período envolvendo operações da mineradora na região.

Incidentes em Congonhas: Vazamentos em Minas da Vale

Vazamento Mais Recente: Mina Viga

O extravasamento na mina Viga, localizada na estrada Esmeril, foi confirmado pela prefeitura e pela Defesa Civil. Constatou-se que a água atingiu o Rio Maranhão, gerando um impacto de natureza exclusivamente ambiental, segundo as autoridades municipais. Não foram registrados bloqueios de vias ou comunidades diretamente afetadas por este evento.

Incidente Anterior: Mina de Fábrica

Este novo incidente ocorre um dia após o rompimento de uma barreira de contenção de água na mina de Fábrica, ocorrido em 25 de maio. A mina de Fábrica está situada a aproximadamente 22 km da mina Viga. Na ocasião, 263 mil metros cúbicos de água turva, contendo minério e outros materiais do processo de beneficiamento mineral, vazaram.

O material extravasado na mina de Fábrica atravessou o dique Freitas, arrastando sedimentos e rejeitos de mineração. Esse fluxo atingiu uma área da mineradora CSN, especificamente sua unidade Pires em Ouro Preto, causando danos materiais. Áreas como almoxarifado, acessos internos, oficinas mecânicas e a área de embarque foram alagadas. A CSN, por sua vez, informou que suas estruturas de contenção de sedimentos operam normalmente e que está acompanhando a situação.

A lama resultante do rompimento na mina de Fábrica seguiu pelo Rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana de Congonhas, antes de se encontrar com o Rio Maranhão na região central da cidade. O Rio Goiabeiras é afluente do Rio Maranhão, que, por sua vez, deságua no Rio Paraopeba – o mesmo curso d’água atingido pelo rompimento da barragem da Vale em Brumadinho em 25 de janeiro de 2019.

Consequências e Medidas Adotadas

Em resposta aos incidentes, especialmente os da mina de Fábrica, uma sala de crise foi estabelecida. Ela conta com a participação das defesas civis de Congonhas e Ouro Preto, equipes da Coordenadoria de Estado de Defesa Civil (CEDEC), do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, da Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da prefeitura de Congonhas e do Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG).

João Lobo, secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, expressou sérias preocupações. Segundo ele, a alta turbidez da água resultará em perda significativa de biodiversidade, com redução na qualidade da água, oxigênio e luminosidade. Há também risco de assoreamento dos rios, aumentando a probabilidade de enchentes. O material carreado pode ser tóxico, afetando as matas ciliares e comprometendo sua função de contenção de barrancos. Essas consequências serão observadas nos próximos meses. Próximo ao local do rompimento na mina de Fábrica, já foram constatados arraste de árvores e rochas, além de mudanças no curso do rio.

A secretaria municipal de Meio Ambiente aplicou um auto de infração à Vale, passível de conversão em multa. O secretário João Lobo criticou a empresa, afirmando que, embora não seja uma barragem, a estrutura da mina de Fábrica possuía potencial para graves problemas ambientais e sociais, incluindo perda de vidas, e que a empresa não possuía condições de monitoramento adequado e contínuo da área.

Procuradas pela Agência Brasil, a Vale e o Ministério de Minas e Energia não se manifestaram sobre os acontecimentos até o momento da publicação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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