Petrobras Mantém Preços Estáveis e Amplia Produção em Meio à Turbulência Global

© Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras reafirma seu compromisso em evitar alterações abruptas nos preços dos combustíveis no Brasil, mesmo diante da valorização do petróleo no mercado internacional, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. A estatal tem como estratégia principal o aumento da produção para fortalecer a segurança energética do país, conforme declarado pela presidente Magda Chambriard.

Cenário Geopolítico e Impacto no Mercado de Petróleo

O cenário global foi afetado por ataques entre Estados Unidos e Israel ao Irã, iniciados em 28 de fevereiro. A região é um polo estratégico de produção de petróleo, abrigando o Estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial no sul do Irã. Antes do conflito, cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural transitava por essa rota, que sofreu bloqueios.

Essa turbulência na cadeia logística global resultou na diminuição da oferta de óleo cru e seus derivados, levando a uma escalada nos preços. O barril de Brent, referência internacional, saltou de US$ 70 para mais de US$ 100, com picos de aproximadamente US$ 120. Por ser uma commodity negociada internacionalmente, o encarecimento do petróleo é sentido também no Brasil, apesar de ser um país produtor.

Estratégias de Preços e Abastecimento Interno

Para mitigar o aumento de preços no mercado interno, o governo federal implementou medidas como a isenção de tributos federais sobre combustíveis e a subvenção econômica para produtores e distribuidores.

No âmbito da Petrobras, houve reajustes para o óleo diesel – amplamente utilizado por caminhões e ônibus – e o querosene de aviação (QAV). Contudo, a gasolina não sofreu alteração de preço.

Questionada sobre um possível aumento da gasolina, a presidente Magda Chambriard destacou o monitoramento constante dos preços, da participação de mercado e da concorrência com o etanol. Ela ressaltou que o Brasil possui uma frota flex, e a concorrência com o etanol, que registrou queda de preço nos últimos quinze dias, é um fator relevante. A produção de gasolina da companhia, segundo ela, supre a demanda brasileira, com o país atuando tanto na importação quanto na exportação do combustível.

A diretora de Logística, Comercialização e Mercados da Petrobras, Angelica Laureano, esclareceu que a decisão sobre um eventual aumento da gasolina é independente da aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP) 67/2026, que visa reduzir a zero as alíquotas de PIS/Cofins e Cide sobre combustíveis. A diretora afirmou que, caso a empresa avalie uma persistência de preços abaixo das expectativas, um aumento será considerado, e o PLP poderia auxiliar a não repassar integralmente esse custo ao consumidor. Atualmente, o preço é considerado ‘equilibrado’.

Desempenho Operacional e Resultados Financeiros

Produção Recorde e Eficiência das Refinarias

A Petrobras registrou um desempenho operacional notável, alcançando um recorde na produção de óleo e gás. No primeiro trimestre de 2026, a produção foi 16,1% superior à do mesmo período do ano anterior. O Fator de Utilização Total (FUT) das refinarias superou 100%, o maior patamar desde dezembro de 2014. O FUT é um indicador que pode ultrapassar a capacidade máxima de projeto com autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A empresa reforça seus investimentos em confiabilidade estrutural e aponta 2026 como um ano com baixa necessidade de manutenções programadas.

Balanço Financeiro do Primeiro Trimestre

O lucro líquido da Petrobras no primeiro trimestre de 2026 atingiu R$ 32,7 bilhões, um valor mais que o dobro (110%) em relação aos R$ 15,6 bilhões do trimestre anterior (quarto trimestre de 2025). Em comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 35,2 bilhões), houve um recuo de 7,2%.

A presidente Magda Chambriard explicou que essa diferença negativa é atribuída ao efeito cambial, e que, se calculado em dólares, o lucro apresenta uma leve alta, sem impacto direto no caixa da companhia.

Os investimentos da empresa totalizaram R$ 26,8 bilhões, representando uma expansão de 25,6% em comparação ao primeiro trimestre de 2025. A dívida da companhia encerrou o trimestre em US$ 71,2 bilhões (equivalente a R$ 350 bilhões), registrando um aumento de 10,8%.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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