“Sabores da Tradição”: Museu Histórico Nacional Explora a História da China Antiga Pela Alimentação

© Tomaz Silva/Agência Brasil

A exposição Sabores da Tradição: história da alimentação na China antiga, uma jornada pela civilização chinesa a partir de sua culinária, foi inaugurada em 27 de abril de 2014 no Museu Histórico Nacional (MHN), localizado no centro do Rio de Janeiro. A mostra, que integrava as celebrações do Ano Cultural Brasil-China, esteve em cartaz até 11 de outubro do mesmo ano com entrada gratuita, apresentando 121 objetos provenientes do Museu Nacional da China, em Pequim.

O percurso expositivo abrangeu um vasto período, desde a pré-história agrícola até o ano de 1911, marcando o fim da dinastia Qing e, consequentemente, da China imperial. O foco esteve na China antiga, anterior à República, explorando as transformações de sua cultura alimentar até o início do século 20.

A Experiência da Mostra "Sabores da Tradição"

Organização Temática e Visão Curatorial

A exposição foi organizada em cinco núcleos temáticos que desvendaram a profunda conexão entre os chineses e sua cultura alimentar: Uma alimentação variada como base da nutrição, Alimentos cozidos e bebidas quentes, Reverenciar o Céu e cumprir os ritos, Deleitar os olhos, apaziguar o espírito e Beleza compartilhada em harmonia. Através dessas seções, a mostra utilizou a comida e a bebida como lentes para recontar a história de uma civilização milenar.

Cada uma das peças do acervo serviu como um fragmento revelador de como os chineses concebiam o mundo, estruturavam o poder, cultivavam o prazer e se relacionavam com o sagrado. Segundo a curadoria, a alimentação é o domínio da vida humana onde múltiplas dimensões culturais se entrelaçam simultaneamente. Os 121 objetos expostos, com cerca de 10 mil anos de história, demonstravam uma impressionante diversidade de materiais, incluindo cerâmica, bronze, porcelana, ouro, prata, jade, pedras preciosas, laca e madeira.

Reflexões e Perspectivas

Para Cícero de Almeida, então diretor do MHN, a segurança alimentar representou uma questão política fundamental para as diversas dinastias chinesas, preocupadas em evitar rebeliões sociais. Ele ressaltou a importância vital da alimentação sob os pontos de vista material, espiritual e de organização social, destacando também o ritual associado ao compartilhamento das refeições, como o ato de servir à mesa e a delicadeza dos recipientes. “A exposição tem esse percurso de compreender pelos objetos como esses aspectos marcam os chineses”, observou Almeida.

Giancarlo Hannud, consultor de conteúdo e tradutor da mostra, enfatizou o caráter da exposição como uma jornada pela alteridade. “Essa é uma exposição sobre a alteridade, sobre perceber que o mundo é imenso e existem centenas de formas de habitar o mundo”, explicou. Ele destacou que a peça mais antiga em exibição era um triturador e moedor de trigo de 12 mil anos, ilustrando como a mostra ajudava a compreender culturas para além da perspectiva ocidental eurocêntrica.

As Raízes Agrícolas da China

A curadoria da exposição também ressaltou o papel da China como um dos berços da agricultura do milheto e do arroz, e uma das primeiras regiões a domesticar animais como o cachorro, o porco e a galinha. Há aproximadamente 4 mil anos, espécies como o carneiro, o gado bovino e o cavalo, além do cultivo do trigo, foram introduzidas no território chinês, vindas da Ásia Ocidental, enriquecendo ainda mais sua rica tradição alimentar.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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