Taxa de Desocupação Atinge 5,8% em Fevereiro, Mínima Histórica para o Período Desde 2012, com Rendimento Recorde
A taxa de desocupação no Brasil alcançou 5,8% no trimestre encerrado em fevereiro, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (27). Embora represente uma elevação em relação ao trimestre móvel anterior, o indicador é o menor para o período desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, em 2012. Paralelamente, o rendimento médio mensal do trabalhador atingiu o maior valor já registrado.
Cenário da Desocupação
O percentual de 5,8% no trimestre de dezembro a fevereiro superou a taxa de 5,2% observada no trimestre móvel de setembro a novembro. Contudo, em comparação ao mesmo trimestre de 2025, quando o índice era de 6,8%, a redução é notável. O país registrou 102,1 milhões de pessoas ocupadas e 6,2 milhões de brasileiros procurando trabalho no período. Para fins de comparação, no trimestre de setembro a novembro de 2025, eram 5,6 milhões de pessoas em busca de vagas.
Fatores Explicativos da Variação
A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, explicou que o aumento da desocupação é reflexo de um comportamento sazonal, especialmente nos setores de educação e saúde. Segundo Beringuy, uma “parte expressiva dos ocupados é provida por contratos temporários no setor público”, e a transição de ano geralmente envolve o encerramento desses contratos, impactando o nível de ocupação nessas atividades.
Rendimento Médio Atinge Patamar Inédito
Apesar da recente elevação na taxa de desocupação, o rendimento médio mensal real do trabalhador alcançou R$ 3.679 no trimestre encerrado em fevereiro, marcando um novo recorde. Esse valor representa um aumento de 2% em relação ao trimestre encerrado em novembro de 2025 e de 5,2% quando comparado ao mesmo trimestre do ano anterior. A análise de Adriana Beringuy aponta que o crescimento do rendimento é impulsionado pela forte demanda por trabalhadores e por uma tendência de maior formalização nas atividades de comércio e serviços.
Outros Indicadores do Mercado de Trabalho
A pesquisa do IBGE também destacou outros aspectos do mercado de trabalho. O número de empregados no setor privado com carteira assinada permaneceu estável em 39,2 milhões, tanto em comparação ao trimestre móvel anterior quanto ao mesmo período de 2025. Já os trabalhadores por conta própria totalizaram 26,1 milhões, mantendo estabilidade sequencial e registrando um aumento de 3,2% (equivalente a mais 798 mil pessoas) em relação ao mesmo período de 2025. A taxa de informalidade foi de 37,5% da população ocupada, o que corresponde a 38,3 milhões de trabalhadores sem garantias trabalhistas, como cobertura previdenciária e férias, uma leve queda em comparação aos 37,7% do trimestre anterior.
Metodologia e Contexto Histórico da Pnad Contínua
A Pnad Contínua do IBGE investiga o comportamento do mercado de trabalho para pessoas a partir de 14 anos, englobando todas as formas de ocupação (com carteira, sem carteira, temporário, por conta própria, etc.). Para ser considerada desocupada, a pessoa deve ter procurado ativamente uma vaga nos 30 dias que antecederam a pesquisa. O levantamento abrange 211 mil domicílios em todas as unidades federativas.
Historicamente, a maior taxa de desocupação da série, iniciada em 2012, foi de 14,9%, registrada nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, períodos marcados pela pandemia de COVID-19. A menor taxa alcançada foi de 5,1% no quarto trimestre de 2025.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br
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