Balança Comercial Brasileira Registra Superávit Recorde em Abril de 2026

© Divulgação/Porto de Santos

A balança comercial brasileira atingiu em abril de 2026 o maior superávit já registrado para o mês desde o início da série histórica, impulsionada pelo aumento significativo nas exportações de soja e petróleo. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) informou que o saldo positivo foi de US$ 10,537 bilhões.

Desempenho Mensal Detalhado

O resultado de abril de 2026 representa um crescimento de 37,5% em comparação com o mesmo mês de 2025, quando o superávit foi de US$ 7,664 bilhões. Este valor é o terceiro maior para qualquer mês desde 1989, ficando abaixo apenas dos superávits de maio de 2023 (US$ 10,978 bilhões) e março de 2023 (US$ 10,751 bilhões).

As exportações totalizaram US$ 34,148 bilhões em abril, um aumento de 14,3% em relação ao ano anterior, marcando um recorde para o mês. As importações também alcançaram um recorde para abril, somando US$ 23,611 bilhões, com alta de 6,2% na mesma comparação.

Acumulado do Quadrimestre

No acumulado dos quatro primeiros meses de 2026, a balança comercial registra um superávit de US$ 24,782 bilhões, valor 43,5% superior ao do mesmo período do ano passado. Esse crescimento é atribuído à recuperação dos preços das commodities e à ausência da importação de uma plataforma de petróleo, que ocorreu em fevereiro de 2025 e não se repetiu em 2026.

No quadrimestre, as exportações somaram US$ 116,552 bilhões, com alta de 9,2%, enquanto as importações atingiram US$ 91,770 bilhões, aumento de 2,5%. O superávit acumulado é o segundo maior da série histórica para o período, perdendo apenas para o primeiro quadrimestre de 2024 (US$ 26,925 bilhões).

Destaques por Setor e Produto nas Exportações

Em abril de 2026, as exportações por setores apresentaram as seguintes variações: Agropecuária (+16,1%, com 12,7% de volume e 3,2% de preço médio), Indústria extrativa (+17,9%, impulsionada pelo petróleo, com 0,6% de volume e 17,2% de preço médio) e Indústria de transformação (+11,6%, com 6,8% de volume e 4,1% de preço médio).

Entre os produtos, os principais impulsionadores das exportações em abril foram: na Agropecuária, a soja (+18,8%), algodão (+43,7%) e animais vivos, exceto pescados e crustáceos (+148,4%); na Indústria extrativa, óleos brutos de petróleo (+10,6%), minério de ferro (+19,5%) e minérios de cobre (+55%); na Indústria de transformação, carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+29,4%), ouro não-monetário (+75,9%) e bombas, centrífugas, compressores de ar e ventiladores (+321,5%).

Em termos de valores absolutos, a soja foi o item que mais contribuiu para o crescimento mensal, com um aumento de US$ 1,105 bilhão nas exportações, seguida pelo petróleo bruto, com alta de US$ 458,98 milhões. Apesar do volume de petróleo exportado ter caído 10,6%, o preço médio subiu 23,7%, influenciado pelo conflito no Oriente Médio e pela alíquota temporária de 12% do Imposto de Exportação imposta em março de 2026. Em contraste, as vendas de café registraram queda de US$ 177,44 milhões (-14,2%) devido à redução de 13,4% no preço médio.

Principais Produtos Importados

O aumento das importações em abril de 2026 foi majoritariamente puxado pela categoria de veículos, cujas compras do exterior subiram US$ 654,33 milhões em comparação com o mesmo mês de 2025. Outros produtos com destaque na pauta de importação foram soja (+165,3%) e pescados (+11,1%) na agropecuária; óleos brutos de petróleo (+26,4%) e linhita e turfa (+147,9%) na indústria extrativa; e automóveis de passageiros (+109,9%), combustíveis (+37,3%) e válvulas e tubos termiônicos (+27,3%) na indústria de transformação.

Projeções para 2026

Para o ano de 2026, o Mdic projeta um superávit comercial de US$ 72,1 bilhões, o que representaria um aumento de 5,9% em relação ao resultado positivo de US$ 68,1 bilhões registrado em 2025. As exportações são estimadas em US$ 364,2 bilhões (+4,6% sobre 2025), e as importações em US$ 280,2 bilhões (+4,2% sobre o ano passado). As projeções oficiais para a balança comercial são revisadas trimestralmente pelo ministério.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br


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